CPI dos Grampos deve ouvir Justus e Curi
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Marcela Rocha Mendes <br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os primeiros depoimentos sobre o esquema de escutas ilegais encontrado no prédio da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná devem ser ouvidos pelos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos na próxima semana. A comissão foi oficialmente instalada ontem e seus participantes anunciados (veja infográfico). O presidente da AL, Valdir Rossoni (PSDB) será um dos primeiros convocados a depor. Nelson Justus (DEM) e Alexandre Curi (PMDB), ex-presidente e ex-primeiro secretário da Casa de Leis, respectivamente, também devem ser ouvidos.
A presidência da CPI ficará com o autor da proposta, Marcelo Rangel (PPS). A escolha do relator e sub-relator deve acontecer na segunda-feira, quando os 11 membros se reunirão pela primeira vez para discutir as convocações e solicitações de trabalhos específicos a fim de esclarecer os fatos.
A primeira medida realizada após a instalação da comissão, de acordo com Rangel, foi conversar com o secretário estadual da Segurança Pública, Reinaldo de Almeida Cesar, e pedir apoio para realização dos trabalhos. ''Pedimos a disponibilização da estrutura da Polícia Civil e acesso aos inquéritos da investigação que vem sendo feita. O secretário demonstrou que dará total apoio.''
A CPI tem algumas prerrogativas próprias, como o poder de decretar prisão de algum depoente que cometer perjúrio ou convocar testemunhas sem a necessidade de mandado judicial. Segundo o regimento interno da AL, a comissão pode ''determinar diligências, ouvir indiciados, inquirir testemunhas sob compromisso, requisitar de órgãos e entidades da administração pública informações e documentos, requerer audiência de Deputados e Secretários de Estado, tomar depoimento de autoridades estaduais e municipais e requisitar os serviços de quaisquer autoridades, inclusive policiais''.
Segundo Rangel, todos que tiveram acesso aos locais onde foram encontrados os grampos serão chamadas a depor. Para isso, ele já solicitou as imagens do circuito interno de câmeras. ''Os deputados também serão ouvidos. Até para sabermos se alguém foi achacado ou prejudicado em razão das escutas.'' Os grampos foram descobertos no Legislativo no início de fevereiro pela empresa Embrasil, após uma varredura. Equipamentos foram localizados no gabinete da Presidência, na 2Secretaria, e na central telefônica.
O parlamentar reiterou que o objetivo da CPI não é simplesmentes encontrar os responsáveis pela instalação dos grampos. ''É um fato muito grave que pode ter acarretado outros agravantes, como o desvio de trabalho parlamentar. E é isso que queremos descobrir.''


