CPI dos Correios pode investigar mensalão
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quinta-feira, 16 de junho de 2005
Agência Estado 
Brasília - O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), e o relator Osmar Serraglio (PMDB-PR) admitiram ontem que as investigações da Comissão poderão extrapolar a estatal e acabarem se estendendo à denúncia de pagamento de R$ 30 mil de mesada para que deputados do PL e do PP votassem com o governo. Até o início da noite de ontem, a CPI dos Correios havia recebido 101 requerimentos para convocar autoridades, políticos e empresários, além de solicitar a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico do PT e do PTB, entre outros.
Um dos requerimentos pede a convocação de Waldomiro Diniz, ex-assessor do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. ''Todas as nomeações que eram feitas passavam pelo Waldomiro Diniz. Ele atuava em uma posição de frente'', alegou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), autor do pedido. ''Tirando o presidente da República, a CPI tem competência para exigir a presença de quem quer que seja'', afirmou Serraglio.
''Em princípio não tem bom senso um requerimento com esse objeto'', reagiu o presidente da CPI. Com a tentativa de convocar Diniz, a oposição quer fazer uma investigação abrangente por entender que o ministro Dirceu seria o mentor das irregularidades nas estatais, entre elas os Correios, e suposta compra de parlamentares.
Tanto Delcídio quanto Serraglio argumentaram, no entanto, que nesta fase inicial de trabalhos as investigações da CPI ficarão centradas nas denúncias de esquema de corrupção nos Correios. ''Evidentemente que se outros fatos aparecerem ao longo das investigação, tem de ter bom senso para se investigar. Mas até agora não apareceu nada que tivesse ligação com a CPI do 'mensalão''', disse o presidente da CPI. ''Se na CPI dos Correios houver qualquer coisa relacionada com esse caso do chamado 'mensalão', nós vamos examinar'', afirmou o relator.
Ele disse ainda que está se sentindo ''injustiçado'' pelas notícias de que seria um relator ''chapa branca'' por ser aliado do governo. ''Isso não corresponde à realidade. É uma elocubração. Por mais que eu vá trabalhar já saio carimbado como chapa branca. Mas se o governo não deixar investigar até as últimas consequências quem periga é ele'', observou Serraglio.
A CPI ainda não montou um cronograma de trabalho. Por enquanto, está acertado apenas o depoimento, na próxima terça-feira, do ex-diretor dos Correios Maurício Marinho, que foi flagrado recebendo propina. O ex-diretor de Administração dos Correios Antonio Osório, que era chefe de Marinho, deverá ser o próximo a depor.
Segundo Delcídio Amaral, o presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), deverá ser convocado para depor dentro de ''duas ou três semanas''. ''O depoimento do Roberto Jefferson deve ser mais para frente. O ideal é que ele venha quando houver mais subsídios'', explicou o presidente da CPI.
Segundo Delcídio e Serraglio, muitos dos requerimentos são repetidos e a secretaria da CPI pretende sistematizá-los. Delcídio Amaral defendeu ainda um entrosamento entre governo e oposição para o bom andamento dos trabalhos da CPI. ''Ganhamos com um voto de diferença a presidência da Comissão. Só por aí vocês podem compreender como vai ser importante para as votações um bom relacionamento com a oposição'', disse.
Anteontem, o petista foi eleito para presidir a CPI por 17 votos contra 15 dados ao senador César Borges (PFL-BA), candidato de oposição. Se o pefelista tivesse recebido mais um voto, a votação teria ficado empatada e Borges eleito presidente da CPI, uma vez que Borges é mais velho do que o petista.


