CPI dos Cartões se arrasta sem denúncias
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sexta-feira, 02 de maio de 2008
Eugênia Lopes<br>Agência Estado 
Brasília - Criada com estardalhaço em meados de março, a CPI Mista dos Cartões Corporativos sobrevive hoje graças ao empenho de um trio de deputados de oposição. Em busca de gastos irregulares com cartão corporativo, Carlos Sampaio (PSDB-SP), Índio da Costa (DEM-RJ) e Vic Pires Franco (DEM-PA) se revezam na análise de centenas de caixas com documentos, que ficam numa sala subterrânea do Senado, mais conhecida como ''batcaverna''. Tentam também extrair alguma novidade dos documentos em poder do Tribunal de Contas da União (TCU) com os gastos com cartões feitos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao contrário do trio, parlamentares da base aliada raramente dão às caras na ''batcaverna'' ou no TCU. O relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), não está nem um pouco preocupado em examinar a documentação enviada pelo próprio governo para a comissão de inquérito. ''Não vou entrar nessa guerrinha de ficar procurando nota fiscal'', argumenta o petista, referindo-se às notas com gastos suspeitos de autoridades divulgadas ora pelos oposicionistas ora pelos governistas.
Mesmo sem olhar as caixas de documentos, Luiz Sérgio promete entregar seu relatório no final deste mês. Ele antecipou que não pretende pedir o indiciamento de ninguém. O petista diz que fará um ''relatório propositivo'' com sugestões para a melhoria do uso dos cartões. Já avisou que dificilmente vai incorporar ao seu relatório as descobertas feitas pelo tucano Sampaio, que é sub-relator de Sistematização, e Índio da Costa, encarregado da sub-relatoria de Fiscalização.
A dupla Sampaio e Índio tem feito levantamentos quase diários mostrando o mau uso dos cartões corporativos - desde saques feitos nos fins de semana por portadores do cartão até servidores comissionados que são proprietários de empresas que têm negócios com o poder público. Fora isso, nada mais acontece na CPI.
A última reunião da comissão de inquérito foi no dia 16 de abril, quando foi aprovado requerimento que permitiu o acesso da oposição aos dados sigilosos em poder do TCU. A previsão é de uma nova reunião provavelmente no dia 27 de maio, quando Luiz Sérgio pretende apresentar o relatório final.
Nestes quase dois meses de funcionamento de CPI, os parlamentares da base aliada reagiram à divulgação de dados pelos oposicionistas e contra-atacaram publicamente apenas uma vez. Foi na semana passada, quando o governo escalou senador João Pedro (PT-AM) para divulgar detalhes de gastos do ex-ministro e hoje deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP), na época em que comandou a pasta da Educação no governo Fernando Henrique Cardoso. Desde então, a base não se movimentou mais.


