CPI dos Bingos provoca bate-boca entre senadores
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quinta-feira, 11 de março de 2004
Agência Folha 
Brasília - A reunião da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado marcada para decidir o futuro da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Bingos foi marcada pelo clima tenso e bate-bocas entre os senadores governistas e da oposição.
O nervosismo se intensificou assim que o presidente da CCJ, senador Edison Lobão (PFL-MA), concedeu vista coletiva (prazo para análise da proposta) até as 15h de ontem - o que acabou se confirmando. Com a decisão, os senadores teriam entre às 12h e às 15h para avaliar os relatórios de Leomar Quintanilha (PMDB-TO) que mantêm as decisões tomadas pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), na terça-feira passada - que, na prática, enterraram a CPI.
O líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL), contestou a decisão de Lobão e pediu que o prazo fosse até as 13h. ''É preciso que as pessoas entendam que quem decide é a maioria'', afirmou. Em seguida, os senadores Demóstenes Torres (PFL-GO) e Heloísa Helena (sem partido-AL) protestaram contra a idéia de Calheiros, alegando que a proposta desrespeitava o regimento do Senado.
O mais intenso bate-boca aconteceu entre o líder do PSDB, Arhtur Virgílio (AM), e o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que tem atuado em favor do governo, e envolveu Sarney. ''Compreendi que o governo tem duas diretrizes: não investigar o nosso governo (do PSDB), nem o deles'', disse Virgílio. ''A meu ver, o presidente da Casa (Sarney), mancomunado com o governo, decidiu que não tem mais CPI, que vira instrumento da maioria.''
Irritado com a frase de Virgílio, ACM saiu em defesa de Sarney e solicitou que ficasse nos registros da Casa o que chamou de ofensa ao presidente do Senado. ''Não fiz ofensa. Digo e repito, sei muito bem o que significa a palavra. Mancomunado. Que não nos cassem o direito de dizer o que pensamos na tribuna. Peço que conste na ata também minhas declarações. Mancomunado sim'', rebateu o tucano.
A discussão acalorada só se encerrou com a intervenção do senador Jefferson Péres (PDT-AM), que, no entanto, manteve o clima de tensão ao dizer que as ações do governo colocariam a oposição não mais como adversária, mas como ''inimiga''.


