CPI dos Bingos não é palanque, diz senador
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segunda-feira, 25 de julho de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A falta de holofotes sobre a CPI dos Bingos instalada no Congresso Nacional pode facilitar os trabalhos da comissão. A avaliação é do senador paranaense Flávio Arns (PT), titular da CPI dos Bingos, que acredita que a atenção maior dada pela imprensa às CPIs dos Correios e do Mensalão pode evitar que as investigações sobre irregularidades nos bingos transformem-se em palanques eleitoreiros para os deputados e senadores que integram a CPI.
Para Arns, é natural que a atenção da sociedade esteja voltada para as CPIs que investigam os escândalos recentes no governo federal. ''São denúncias que envolvem mais pessoas do Congresso e do Executivo e é natural que a sociedade exija respostas'', comentou Arns. Mas apesar do assunto dos bingos ser mais antigo, é um assunto polêmico e também merece atenção'', completou o petista.
As investigações sobre os bingos começaram há cerca de um ano e meio, quando o assessor do então chefe da Casa Civil, ministro José Dirceu, foi flagrado cobrando propina do empresário do ramo de jogos, Carlos Cachoeira. A CPI porém só foi instalada este mês após o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar sua criação. ''Eu, assim como outros petistas, defendíamos a instalação já naquele momento. Por outro lado, nesse período as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público (MP) avançaram bastante, e agora os senadores e deputados têm mais subsídios para proceder o trabalho'', analisa Arns.
A CPI já quebrou o sigilo bancário de Diniz, Cachoeira e outros quatro acusados de integrar o esquema de propina. Além disso, procuradores da República que investigam o tema foram ouvidos e detalharam o modo como os bingos eram usados para lavagem de dinheiro e financiamento ilegal de campanhas eleitorais. ''Eu acredito que o resultado final da CPI deve ser a proibição definitiva dos bingos no Brasil. É comprovada a ligação do jogo com o crime organizado e o narcotráfico em diversos países'', argumentou Arns.


