Brasília - O presidente do Serviço Brasileiro de Apoio a Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamoto, conseguiu ampliar ontem as suspeitas sobre a origem do dinheiro que usou ao quitar débito de R$ 29,4 mil do presidente Lula para com o PT e o aluguel de sua filha Lurian, de R$ 26 mil, ao assegurar na CPI dos Bingos que entre as suas atribuições, nunca esteve a de cuidar das finanças de quem quer que seja. Ele foi enfático nas quatro vezes em que deu a mesma informação, em resposta ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e ao líder do PFL, José Agripino (PFL-RN), durante a acareação com o ex-secretário de Finanças de prefeituras petistas, economista Paulo de Tarso Venceslau.
  ‘‘Eu, só das minhas’’, frisou após dizer que iria ‘‘refletir’’ sobre o alerta feito por Agripino, de que sua resistência em abrir seu sigilo bancário estaria ‘‘puxando o presidente Lula para baixo como partícipe de um esquema escuso para pagar suas contas’’. ‘‘É um Fiat Elba’’, comparou o senador, referindo-se ao carro do então presidente Fernando Collor pago com dinheiro de um esquema ilegal e que foi decisivo para o seu impeachment.
  ‘‘Nego que eu seja responsável pelas finanças de quem quer que seja’’, repetiu Okamoto, evitando dar maiores explicações, sob a alegação de que estava amparado por uma liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Sepúlveda Pertence, restringindo a acareação a fatos relacionados a ele e a Paulo de Tarso. Antonio Carlos Magalhães disse que, apesar do argumento de Okamoto, ele, sim, poderia falar o que quisesse. ‘‘E talvez seja uma das coisas mais graves que aconteceram aqui, ele não negou que é o pagador das contas do presidente e da sua filha’’, provocou. Ao que o presidente Sebrae rebateu: ‘‘Eu nego, sim, já tinha dito isso em outra ocasião’’.
  O petista Tião Viana (AC) concordou quanto a necessidade de Okamoto abrir seu sigilo, ‘‘para que não paire nenhuma responsabilidade sobre um homem público’’. Mas frisou não ser esta uma das competência da CPI dos Bingos.
  O senador Jefferson Peres (PDT-AM) disse que entenderia como ‘‘teimosia’’, se a decisão de manter a conta bancária em sigilo afetasse apenas ao próprio Okamoto. ‘‘Mas quem está em jogo, é o seu amigo dileto e presidente da República. O senhor sabe como isso comprometeu o presidente, ele vai sangrar na campanha eleitoral, seu amigo vai desmoronar’’, advertiu. O presidente do Sebrae foi categórico ao garantir que seus dados bancários continuarão fechados, enquanto estiver amparado pelo STF ‘‘Os senhores, mais do que, sabe que temos os direitos individuais que a Constituição garante’’, alegou.
  No final da sessão, questionado por jornalistas se iria abrir o sigilo, o presidente do Sebrae desconversou. ‘‘A primeira coisa que eu vou fazer é abrir a braguilha...vou no banheiro, estou apertado’’. A acareação foi marcada pela troca de insultos entre Paulo Okamoto e Paulo de Tarso Venceslau e pelas acusações mútuas de que o outro estava mentindo. ‘‘Olha para mim e fala, você está mentindo agora ou mentiu antes?’’, questinou Venceslau. ‘‘É você quem mente, mentiu e mentiu antes’’, rebateu Okamoto.

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