Curitiba - A liderança do governo na Assembléia Legislativa ainda não tem uma posição oficial sobre a iniciativa da oposição de montar uma CPI para investigar supostas doações por parte dos bingos à campanha do governador Roberto Requião (PMDB) (leia nesta página). O líder governista, Angelo Vanhoni (PT), disse no início da tarde de ontem que o caso será analisado. ''Propor uma CPI até pode, mas tem que fundamentar muito bem'', comentou. Vanhoni frisou que o governo do Estado tem uma posição muito clara em relação aos bingos: mantê-los fechados.
O autor da proposta de CPI, Plauto Miró Guimarães (PFL), já tinha ontem o requerimento pronto. Ele afirmou que vai esperar receber documentos do TRE sobre a prestação de contas de campanha do governador, e depois vai começar a colher as 18 assinaturas necessárias. Plauto defendeu a instalação da CPI na tribuna, mas admitiu que será difícil conseguir apoio para a criação da comissão, pois a maioria dos 54 deputados é governista.
O primeiro-secretário da Casa, Nereu Moura (PMDB), atacou o bloco de oposição. ''Isso é coisa de quem está desesperado. É revanche'', declarou o deputado. E completou. ''Não existe caixa 2 na campanha do Requião. As doações foram declaradas ao TRE. Querem confundir as coisas e criar constrangimento para o governo e ganhar espaço na imprensa'', protestou Moura.
O líder da oposição, Durval Amaral (PFL), está convencido de que a CPI é necessária. ''É um governo de transparência'', disse, acrescentando que espera a adesão dos governistas. Amaral disse que, como a CPI do MST foi proposta antes, a CPI dos Bingos deve esperar na fila.
''É um absurdo'', protestou o chefe da Casa Civil, Caíto Quintana. Para o secretário, a iniciativa da oposição é uma tentativa de ''criar uma cortina de fumaça'' por causa das investigações em torno de um caixa 2 na campanha do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). ''É retaliação porque o governo determinou o fechamento dos bingos'', emendou. Sobre a fita, Quintana disse que fez colocações claras, e que sempre foi contra o jogo. ''Agora, se tem de existir, que seja dentro de uma casa onde possa ser fiscalizado, proibida a entrada de menores, a venda de bebidas alcóolicas e com vigilância'', declarou.

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