CPI dos Bancos pede investigação
Agência Estado
De Brasília
A CPI dos Bancos terminou ontem sem que os parlamentares concluíssem várias das investigações a que se propuseram no início dos trabalhos, há sete meses. Entre estas investigações está a denúncia de vazamento de informações sobre a desvalorização do real.
Os senadores também não conseguiram comprovar a acusação de que o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes teria socorrido bancos em dificuldades em troca de vantagens pessoais. O Ministério Público do Rio apreendeu na casa de Lopes um bilhete em que ele afirmaria ter US$ 1,675 milhão em contas no exterior em nome do empresário Sérgio Bragança.
A CPI pediu ajuda da Interpol e cogitou a contratação de uma empresa especializada para rastrear a conta, mas fracassou ao tentar comprovar sua existência ou relacionar o dinheiro com eventuais irregularidades no mercado financeiro.
O relatório do senador João Alberto Souza (PMDB-MA) foi aprovado por unanimidade e será enviado ao Ministério Público para apuração de responsabilidades civis e criminais em três casos: 1) Dos diretores do Banco do Brasil envolvidos nos empréstimos à construtora Encol; 2) Da diretoria e de funcionários do Banco Central envolvidos nas operações de venda de dólares a preços abaixo da cotação do mercado aos bancos Marka e FonteCindam (também são citados os dirigentes destas instituições por induzirem a erro os funcionários públicos), 3) E, mais uma vez, da diretoria do Banco Central por várias irregularidades apontadas no Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro).
Apesar de pedir a investigação do Ministério Público, os sub-relatórios não citam nominalmente todas as pessoas que supostamente teriam cometido os crimes. No sub-relatório Marka/FonteCindam, o dono do Marka, Salvatore Cacciola, é o único citado nominalmente. O senador João Alberto disse que o MP tem condições de verificar quais são as pessoas a que o relatório se refere pelos depoimentos anexados.
No relatório, os senadores se referem ao constrangimento de não entenderem certas operações do mercado financeiro, o que dificultou os trabalhos. Ontem, já se discutia como será a nova comissão permanente do sistema financeiro que poderá ser criada por sugestão do relator. Se a comissão for criada, o presidente do Banco Central e o ministro da Fazenda terão de comparecer ao Senado de seis em seis meses para prestar esclarecimentos sobre suas atividades.
O senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que propôs a criação da CPI, disse que ela não terminou em pizza. A CPI não pode prender pessoas. Temos de confiar no Ministério Público , disse. Sobre o sub-relatório do Proer, João Alberto disse que o BC esclareceu ontem que já havia informado à comissão sobre o uso de reservas bancárias no valor de R$ 12,9 bilhões na ajuda aos bancos. Eles explicaram que a informação estava em uma nota de rodapé de um documento, o que é um absurdo, disse.Criada para averiguar vazamento de informações, comissão encerra trabalho recomendando continuidade nas apurações
Arquivo FolhaRESULTADOSBarbalho: A comissão não termina em pizza. Não podemos fazer prisões e temos de confiar no Ministério Público





