CPI dos Bancos agora se volta para o Banespa
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Cláudia Carneiro Agência Estado 
O Banespa e os fundos de pensão estatais são os novos alvos de investigação da CPI dos Bancos. Uma frente da comissão apura a venda de títulos da dívida externa brasileira pelo Banespa ao Banco J.P.Morgan, de novembro a março deste ano, e dirigentes do banco paulista poderão ser convocados para explicar a operação, exposta na CPI pelo deputado Aloízio Mercadante (PT-SP). Outra frente de investigações descobriu que a Petros - o fundo de pensão dos empregados da Petrobrás - foi um dos compradores das debêntures emitidas pela Teletrust de Recebíveis S.A., empresa que teve sigilo quebrado pela CPI.
A operação realizada pelo Banespa passou a ser investigada pela CPI paralelamente às apurações sobre o caso do socorro financeiro do Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam. Estas apurações estão dependendo do resultado do cruzamento de dados da Receita Federal com o sigilo bancário para serem concluídas. O interesse da CPI é saber porque o Banespa vendeu títulos da dívida externa - bradies - abaixo da cotação do dólar, beneficiando o banco Morgan e promovendo um prejuízo estimado em R$ 172 milhões, segundo dados apresentados por Mercadante.
Desde 1994, esses títulos em poder do Banespa vinham sofrendo uma desvalorização. Em meados de 1997, chegou a 86% do seu valor de face e depois da crise da Ásia, naquele mesmo ano, seu preço caiu ainda mais no mercado, vindo a atingir cerca de 50% do valor de face com a crise da Rússia. A venda de títulos para o Banco Morgan ocorreu entre novembro de 1998 e março de 1999, momento em que os títulos atingiram um pico de desvalorização, ainda segundo levantamento do petista.
Assim que a CPI recebeu a denúncia de favorecimento à instituição estrangeira pelo Banespa, o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), então presidente interino da comissão, ouviu a seguinte explicação da direção do Banespa: a venda dos títulos ocorreu dentro do processo de preparação para a privatização do banco, e teria sido negociada diretamente pelo BC.


