A CPI do Proer, instalada pela Câmara dos Deputados para investigar o programa de ajuda do governo às instituições financeiras que estavam com problemas, inicia hoje a tomada de depoimentos dos ex-diretores dos bancos que sofreram intervenção. O primeiro convidado é o antigo controlador do Banco Econômico, Ângelo Calmon de Sá, que irá depor hoje. Os membros da CPI querem desvendar a caixa-preta que envolveu a liberação de dinheiro para o Econômico e para o Banco Nacional, ambos sob intervenção.
A antiga direção do Econômico é suspeita de fraudar balanços para esconder rombo de R$ 2,9 bilhões. A CPI questiona o processo que transferiu o Econômico para o Excel, em abril de 1996, depois de uma injeção de R$ 6,5 bilhões do Proer. Dois anos mais tarde, o Excel foi vendido ao espanhol Bilbao Vizcaya.
''Tanto o Econômico quanto o Nacional ficaram insolventes muito mais por causa de má gestão do que pela crise econômica. É isso que precisa ser apurado'', afirmou ontem o presidente da CPI, deputado Gustavo Fruet (PMDB-PR). Ele ressaltou que uma situação completamente diferente do Econômico e Nacional ocorreu com o Bamerindus, que também sofreu intervenção federal em março de 1997.
Segundo Fruet, não houve indícios de má gestão ou fraude no Bamerindus e sim ondas de boatos que insistiam em garantir que o banco estava com problemas financeiros, situação que provocou uma fuga em massa de clientes e a futura intervenção. A informação é confirmada pelo ex-presidente do Bamerindus José Eduardo de Andrade Vieira. ''Os boatos existiram e saíram de dentro do Banco Central'', afirmou ontem José Eduardo.
O empresário foi convidado a depor na CPI na próxima terça-feira, dia 23. José Eduardo entregará um relatório completo com informações que indicam erros no processo de intervenção e colocam em xeque a atuação dos diretores do Banco Central, na época em que o banco foi entregue para o grupo inglês HSBC. ''Se a CPI conseguir abrir esta caixa-preta será um grande avanço'', afirmou.
Entre os questionamentos da CPI estão os diferentes critérios que o BC usou para intervir nas instituições e ainda se de fato houve privilégios para determinados grupos e prejuízos para outros. Também será apurado de que maneira os R$ 27 bilhões do Proer e demais ajudas às instituições dadas desde 1995 retornarão aos cofres públicos.
Sete bancos privados receberam ajuda do Proer (Econômico, Nacional, Bamerindus, Banorte, Pontual, Antonio Queiroz e Mercantil). O Econômico recebeu R$ 6,5 bilhões, o Nacional R$ 5,9 bilhões e o Bamerindus R$ 5,8 bilhões. Os valores foram apurados pela CPI.

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