CPI do Proer coloca o Palácio em foco
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sábado, 01 de setembro de 2001
Christiane Samarco<BR>Agência Estado 
Os líderes dos partidos de oposição querem aproveitar o palco da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o programa de reestruturação do sistema financeiro (Proer), que será instalada nesta semana, para pôr o governo na berlinda e retomar a luta política, tirando o sossego do PSDB. O Palácio do Planalto, que venceu a batalha para impedir a abertura da CPI da Corrupção, agora não tem como evitar o inquérito para investigar as relações do Banco Central (BC) com os bancos privados, que aguardava sua abertura na fila de CPIs desde março de 1996. Mas nem por isto o governo está nervoso.
''Se querem transformar a CPI do Proer em manobra eleitoreira, este palanque será do governo, e não da oposição'', garante o secretário-geral da Presidência e coordenador político do governo, ministro Aloysio Nunes Ferreira. ''Vão nos dar uma tribuna para acabar com esta mitologia de que o Proer não foi moral e esclarecer de vez que este foi um dos melhores programas que o governo já implementou'', insiste o ministro. Não é o que pensam os adversários do Planalto, que querem investigar, em detalhes, as operações ocorridas entre o Banco Central e os bancos Nacional, Econômico, Bamerindus e, recentemente, a ajuda financeira aos bancos Marka e FonteCindan.
Desconfiados de que o governo manobrava para centrar os holofotes da Câmara em mais um inquérito contra o presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), os adversários do governo resolveram reagir. Em reunião realizada na semana passada, os líderes de oposição consideraram ''muito estranha'' a aprovação ''súbita'', pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, de um projeto de resolução para criar uma CPI proposta em 1990.
O objetivo desta CPI é investigar a venda de imóveis e licitações do Ministério da Previdência na gestão de Jader. ''Esta estratégia de satanizar o Jader e esquecer o governo é um equívoco que só beneficiou o Planalto'', advertiu o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA), ao argumentar que o governo transferiu toda a sua responsabilidade, em relação à corrupção, ao caso Jader. ''O Senado já está cuidando deste caso e não podemos permitir que o governo continue ditando a agenda política'', completou o líder do PDT, Miro Teixeira (RJ). A avaliação geral é de que foi a avalanche de denúncias de corrupção, envolvendo Jader, que tirou a CPI da Corrupção da pauta.
O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), diz que a tranquilidade do Planalto em relação à CPI do Proer é tamanha que o assunto nem entrou na pauta da conversa que teve com o presidente Fernando Cardoso na semana passada. ''Não estou minimamente preocupado com isto'', afirma o deputado. Também pudera: o cargo mais importante da nova CPI ficará nas mãos de um tucano. As regras do rodízio entre os partidos políticos na partilha dos postos de poder da Câmara dão ao PSDB o direito de indicar o relator.


