Os membros da CPI do Proer da Câmara Federal aprovaram ontem a quebra de sigilo bancário dos bancos Bamerindus e Econômico para atestar empréstimos, pagamentos e transferências feitas pelas instituições em valores iguais ou superiores a R$ 1 milhão, nos seis meses que antecederam as intervenções nos dois bancos. Também foi aprovada a quebra do sigilo fiscal do Bamerindus.

Os deputados oposicionistas que fazem parte da CPI não conseguiram, no entanto, aprovar o requerimento que previa a acareação entre o ex-controlador do Bamerindus José Eduardo de Andrade Vieira e o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola. A acareação foi sugerida na semana passada, depois do depoimento de José Eduardo à CPI, que investiga irregularidades no programa do governo federal de ajuda às instituições financeiras.

Ontem, em Londrina, José Eduardo lamentou a decisão da comissão. ''A acareação seria uma excelente oportunidade para se esclarecer pontos nebulosos da intervenção no Bamerindus'', disse.

O requerimento pedindo a acareação foi apresentado pelo deputado Ivan Valente (PT-SP), mas votado apenas parcialmente. Contrária à acareação, a bancada governista, em maioria na CPI, ameaçou derrubar a sessão por falta de quórum. Para evitar a manobra, o presidente da comissão, Gustavo Fruet (PMDB-PR), pôs em votação outros requerimentos e adiou o confronto em Loyola e José Eduardo. A CPI aprovou ontem, no entanto, a reconvocação do ex-presidente do BC. A data não foi marcada, mas Loyola deve voltar a depor dentro de cinco ou seis sessões.

De acordo com Fruet, a quebra dos sigilos do Bamerindus poderá confirmar as denúncias feitas pelo ex-senador e ex-ministro José Eduardo de Andrade Vieira. Em depoimento à comissão na semana passada, José Eduardo afirmou que o banco tinha R$ 2,6 bilhões a receber do governo federal em créditos tributários.

Na opinião de Fruet, a decisão de reconvocar Loyola é incomum e comprova que o depoimento do ex-presidente do Bamerindus foi contundente. ''A reconvocação de Gustavo Loyola mostra que as declarações do ex-presidente do Bamerindus foram pesadas.''

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