CPI do Porto investiga tráfico de influência
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de junho de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da CPI do Porto de Paranaguá na Assembléia Legislativa, Valdir Rossoni (PSDB), afirmou ontem que os deputados irão investigar uma acusação de tráfico de influência contra o empresário Alberto Maurício Xavier, proprietário da CG Construtora. Maurício Xavier, que é sobrinho do secretário de Estado da Sáude, Cláudio Xavier, e do assessor jurídico do governo, Pedro Henrique Xavier, teriam se oferecido para assumir um contrato junto à empresa Bandeirantes Dragagem que havia sido suspenso pelo governo estadual no início de 2003. Maurício Xavier teria dito na ocasião, segundo o deputado, que teria canais para retomar o repasse dos recursos cancelado pela administração do porto.
As denúncias foram feitas pelo proprietário da Bandeirantes Dragagem, Ricardo Sudaiha, na sessão da CPI de ontem. A Bandeirantes venceu uma licitação internacional ainda no governo Jaime Lerner (PSB) para realizar a dragagem no canal de acesso ao porto. Quando Eduardo Requião assumiu a presidência da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), o contrato foi suspenso e a empresa foi considerada inidônea. Segundo Sudaiha, uma liminar na Justiça teria suspendido a declaração de inidoneidade da empresa.
A empresa ainda continuou trabalhando por mais quatro meses sem receber antes de encerrar as operações. Depois desse período, Maurício Xavier teria lhe procurado para tentar obter a cessão do contrato de prestação de serviços firmado após a licitação, afirmando que teria maneiras de conseguir a liberação do dinheiro junto à Appa e ao governo estadual.
A Folha tentou localizar Maurício Xavier tanto na CG Construtora como na sua construtora em Blumenau (SC), Unruh e Xavier Ltda., mas não conseguiu contato. A Folha também tentou localizar Maurício Xavier através de seu tio, Pedro Henrique Xavier, mas o assessor jurídico do governo Roberto Requião (PMDB) afirmou não ter contato com seu sobrinho.
Além da denúncia contra Maurício Xavier, os deputados também pretendem pedir a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-diretor técnico do porto Ogarito Linhares. O vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Paranaguá (Aciap), José Roberto Correa, afirmou que Ogarito teria pedido que a Aciap contratasse por R$ 25 mil mensais a clínica médica São Paulo, que nunca teria prestado os serviços pelos quais era paga.
Na próxima terça-feira, a CPI deve ouvir o presidente da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) José Bonifácio Andrade. Ele foi o responsável por um questionamento sobre 19 irregularidades no porto, que iam desde as filas no embarque dos produtos até a dragagem no acesso aos terminais.


