CPI do Porto deixa clima tenso na AL
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de abril de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A CPI do Porto deve ser instalada hoje em clima tenso na Assembléia Legislativa do Paraná. O líder da oposição, Durval Amaral (PFL), partiu ontem para o ataque ao governo do Estado. Amaral foi à tribuna para defender o deputado Valdir Leite (PPS), que propôs a CPI do Porto, e acusou o governo estadual de ''arquitetar'' o inquérito policial no qual Leite foi indiciado. Junto com Leite, foram indiciadas 20 pessoas, entre políticos, empresários e trabalhadores do porto envolvidos na paralisação de cinco dias, no mês passado.
''Isso é a volta à ditadura'', disse Amaral. Na opinião do pefelista, Leite foi indiciado porque atacou ''a inoperância do porto''. ''O inquérito policial foi arquitetado pelo Palácio Iguaçu'', emendou o deputado. A assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu revidou: ''O deputado Durval Amaral é tão conhecido dos paranaenses que sequer merece que alguém se preocupe em responder. E quem o conhece é o Youssef.''
Amaral foi citado pelo doleiro Alberto Youssef em um depoimento prestado à 2 Vara Federal Criminal. Segundo o doleiro, Amaral teria recebido dinheiro cerca de R$ 2 milhões oriundo de transações da Copel, envolvendo compensação de créditos tributários e investigadas pelo Ministério Público (MP) estadual. O MP investiga operações entre a Copel e a Associação dos Diplomados da Faculdade de Administração e Economia (Adifea) da Universidade de São Paulo (USP) e a empresa Oléos Vegetais do Paraná (Olvepar).
Através de nota oficial divulgada há cerca de dez dias, Amaral disse estar surpreso e indignado com o teor do depoimento do doleiro. ''Jamais mantive qualquer tipo de negócio com o mesmo, ainda que por interpostas pessoas'', diz a nota, acrescentando que o deputado colocou à disposição das autoridades e da imprensa do Paraná a quebra de seus sigilos telefônicos e bancários.
O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), disse ontem que vai pedir ao vice-presidente André Vargas (PT) que instale hoje a CPI. O alvo da CPI é a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), comandada por Eduardo Requião, irmão do governador Roberto Requião (PMDB).


