Curitiba - Após uma hora de confusão na sala da presidência, os deputados estaduais optaram por eleger o presidente e o relator da CPI do Pedágio hoje, às 14 horas, antes da sessão plenária. Cerca de 20 manifestantes que acompanhavam a instalação da comissão parlamentar de inquérito reclamaram quando Nelson Luersen (PDT) e Douglas Fabrício (PPS) foram anunciados presidente e relator da CPI, respectivamente, sem que tenha havido uma eleição formal para os cargos.
"Não toleramos a falta de transparência. O Brasil não precisa mais conviver com agentes públicos que não sejam transparentes", relatou Auber Silva Pereira, membro do Movimento Por Amor a Londrina, de combate à corrupção. Aos gritos de "vendidos", "transparência", "pizza" e "o povo acordou, o povo decidiu, ou acaba a roubalheira, ou paramos o Brasil", ele e outros manifestantes interromperam a instalação da CPI dos Pedágios. Diante da situação, os deputados "suspenderam" as indicações.
O Movimento Por Amor a Londrina e representantes locais do Sindicato dos Caminhoneiros viajaram para Curitiba com a intenção de entregar um abaixo-assinado aos membros da CPI do Pedágio. Com nove mil assinaturas, o documento pede o fim do pedágio no Paraná. "Ninguém aguenta mais pagar esses preços abusivos", declarou Pereira, após ser retirado da sala da presidência junto com todos os outros manifestantes. Eles permaneceram na Assembleia Legislativa (AL) até a decisão dos políticos de "refazerem" a eleição do presidente e relator da CPI.
O episódio encerrou um dia cheio de movimentações nos bastidores da AL, para a indicação dos membros da CPI. Até ontem, os deputados indicados pelas lideranças partidárias eram Nereu Moura e Artagão Júnior, do PMDB, Alceuzinho Maron e Bernardo Carli, do PSDB, Péricles de Mello (PT), Nelson Luersen (PDT), Wilson Quinteiro (PSB), Adelino Ribeiro (PSL) e Douglas Fabrício (PPS). Destes nove deputados, apenas Luersen, Péricles e Adelino tinham assinado o requerimento para instalação da CPI do Pedágio, em outubro do ano passado.
A composição da CPI foi "trabalhada" dentro da base governista. Douglas Fabrício, por exemplo, ocupou vaga prometida a Tercílio Turini, do PPS de Londrina. A intervenção de Ademar Traiano (PSDB) facilitou a mudança. Anibelli Neto, do PMDB, ficou de fora apesar de ser o único membro do partido que manteve a assinatura do requerimento da CPI. O DEM abriu mão da sua vaga para dar ao PSDB um segundo membro na comissão.

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