Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
A partir de 15 de fevereiro, na volta do recesso parlamentar, os deputados estaduais que apuram as conexões do narcotráfico no Paraná vão interrogar cerca de 30 suspeitos, de todas as regiões do Estado. Os nomes desses depoentes não são divulgados, para não atrapalhar as investigações.
O início dos depoimentos vai coincidir com a transformação da atual Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembléia Legislativa em Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), conforme foi antecipado com exclusividade pela Folha na edição de ontem. A mudança vai ampliar o poder dos deputados nas apurações. Eles poderão até requisitar a atuação da polícia quando julgarem necessário.
A Folha apurou que, entre os 30 depoentes que serão ouvidos, estão policiais civis e militares e até juízes. Eles são suspeitos de envolvimento em crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e roubo de cargas. A maioria dos nomes são das principais cidades do Estado, mas também de municípios de porte médio, como Cornélio Procópio e Toledo.
Segundo o deputado Ângelo Vanhoni (PT), presidente da CEI, a comissão vai trabalhar durante o recesso parlamentar na Casa, que se estende de 15 de dezembro a 15 de fevereiro. A maioria dos depoimentos será tomada pelos deputados no prédio da Assembléia, em Curitiba. A previsão de Vanhoni é de que os trabalhos da comissão durem, no mínimo, mais seis meses.
‘‘O Brasil precisa fazer uma grande ‘Operação Mãos Limpas’, como ocorreu na Itália’’, pregou o deputado. ‘‘As coisas não vêm à tona porque há muito medo. Se a gente não der um alerta hoje, vamos ficar com mais medo e o País vai se tornar ingovernável e nossas relações serão determinadas pelo mundo do crime.’’
Na próxima segunda-feira, a CEI vai interrogar Shirley Aparecida Pontes, 33 anos, presa na noite da última segunda-feira, em Maringá, com um quilo de cocaína pura. Ela é acusada de ser um contato do traficante carioca Fernandinho Beira-Mar no Paraná. Já ficou comprovada uma ramificação da quadrilha de Beira-Mar no Estado. Ele tinha uma base de distribuição de cocaína em Curitiba.
O depoimento de Shirley Pontes está marcado para as 15 horas, na Assembléia. Depois, ela será transferida para o Rio de Janeiro e Brasília, onde será interrogada pela CPI do Narcotráfico da Câmara Federal.
Ontem, Vanhoni e dois outros integrantes da CEI – os deputados Algaci Túlio (PTB), vice-presidente da comissão; e Tiago de Amorim Novaes (PTB), sub-relator – estiveram em Foz do Iguaçu, investigando a atuação do crime organizado na cidade, principalmente do narcotráfico e da lavagem de dinheiro. Foz é uma das principais rotas de entrada de drogas no País e talvez o maior centro brasileiro de evasão ilegal de divisas para o exterior (leia nesta página).
O grupo tomou o depoimento de uma testemunha (leia ao lado), se reuniu com os três procuradores da República na cidade – Néviton Batista Guedes, Alexandre da Porciúncula e Eduardo Rodrigues – e com os delegados da PF, Eudes Carneiro e Alexandre Crenite.

mockup