Leandro Donatti
De Curitiba
A CPI do Narcotráfico aprovou ontem a convocação do ex-secretário da Segurança Cândido Martins de Oliveira para depor em Brasília. A decisão vem um dia depois de o governador Jaime Lerner (PFL) anunciar o seu afastamento do governo. Além de Cândido Martins, terão de depor em Brasília, nos próximos dias, o ex-delegado geral João Ricardo Képes Noronha, o ex-delegado chefe do Centro de Operações Especiais da Polícia Civil (Cope) Mário Ramos e o investigador Mauro Canuto. Na passagem pelo Paraná, no início do mês, os quatro foram colocados sob suspeita por testemunhas ouvidas pela CPI.
Único representante do Paraná na comissão parlamentar, o deputado federal Roque Zimmermann (PT) informou que as datas previstas para os depoimentos serão acertadas na semana que vem. O deputado avisou que o primeiro a prestar esclarecimentos será Mauro Canuto, o último policial civil a se entregar, no final de semana, à Polícia, cumprindo ordem de prisão provisória decretada pela Justiça. ‘‘Depois o Mário Ramos. O Noronha, quando ele finalmente aparecer. Daí o Candinho’’, assinalou Padre Roque. Segundo ele, o ex-secretário ‘‘tem muito a explicar’’.
Padre Roque disse que a CPI foi informada ontem, por uma fonte do Palácio Iguaçu, que Cândido Martins estaria com as malas prontas para viajar ao exterior. ‘‘Ele está fugindo’’, acusou o petista. A Folha tentou contato com o ex-secretário, através de seu telefone celular, mas não foi possível. Cândido Martins estava em Curitiba, reunido – segundo informações de um comandante chamado Zanatta de posse de seu celular – com pessoas de sua confiança na sede da Secretaria da Segurança. O ex-secretário não retornou ao recado deixado pela reportagem.
A Folha apurou que Cândido Martins prepara uma ofensiva. Pessoas de sua confiança estariam levantando a ficha dos deputados federais integrantes da CPI do Narcotráfico. Pompeo de Mattos seria um dos alvos do ex-secretário. O pedetista foi um dos que mais ‘bateu’ em Cândido Martins na passagem pelo Paraná. Pompeo de Mattos disse que, pelos depoimentos colhidos, o ex-secretário tinha conhecimento do esquema montado internamente na Polícia Civil.
O requerimento aprovado pela CPI ontem é de autoria de Robson Tuma (PFL-SP), filho do senador Romeu Tuma (PFL). Existe ainda um outro – solicitando a mesma coisa – protocolado semana passada por Pompeo de Mattos (PDT-RS). Com a aprovação do pedido de Tuma, o de Pompeo de Mattos perde efeito. Robson Tuma disse em entrevista à Folha que o ex-secretário deve explicações não só à comissão parlamentar, ‘‘mas a sociedade do Paranᒒ. ‘‘Não tem essa história de viajar para o exterior e sumir’’, observou.
Tuma foi o parlamentar da CPI, depois de Padre Roque, que mais questionou Cândido Martins na madrugada do dia 3. A convocação do ex-secretário para depor em Brasília tornou-se questão de honra, depois de a CPI ter sido acusada por setores do Ministério Público de o ter protegido.(Colaboraram Luciana Pombo e James Alberti)

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