CPI do Narcotráfico tem dois relatórios
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Estadual do Narcotráfico terá dois relatórios finais, um público e outro sigiloso. O relator da comissão, deputado Ricardo Chab (PTB), tem mais de 300 páginas arrematadas com um pré-relatório das investigações. Chab marcou reunião para hoje à tarde com o presidente Algaci Túlio (PTB) e os outros cinco membros da comissão para discutir possíveis alterações e a elaboração do texto final. O documento público será entregue à Mesa Executiva na quinta-feira, quando vence o prazo para que as CPIs apresentem suas conclusões. As informações sigilosas serão repassadas ao Ministério Público (MP).
Segundo Chab, a CPI conseguiu a prisão de 12 pessoas durante os nove meses de trabalho. Entre eles, o empresário de Araucária (Região Metropolitana de Curitiba) Hissan Hussein Dehaini citado no relatório final da CPI nacional do Narcotráfico, divulgado em dezembro de 2000.
O empresário foi acusado de envolvimento com o tráfico de drogas, furto, desmanche de veículos, concussão, extorsão e corrupção ativa e passiva. Entretanto, foi libertado no dia 23 de janeiro por ordem judicial depois de permanecer 104 dias detido na Prisão Provisória do Ahú. O processo contra ele, por formação de quadrilha, prossegue com o réu em liberdade.
No decorrer dos trabalhos, os deputados apontaram supostas ligações entre Dehaini e o ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi. Dehaini sustenta que apenas vendeu um helicóptero a Paolicchi.
Chab não quis adiantar detalhes e quais serão os nomes citados pela comissão, mas comentou que alguns podem coincidir com os já relacionados pela CPI Nacional. Desde que os trabalhos foram encerrados, em dezembro do ano passado, o relator está cruzando os dados apurados pelos deputados paranaenses com os apresentados pela CPI Nacional.
Chab defende que um dos capítulos que merecem a criação de uma CPI à parte é a lavagem de dinheiro. Não tivemos tempo e condições de investigar esse assunto. E por sua importância merece investigações mais profundas, avaliou o deputado.
O deputado disse ainda que muitos depoimentos não puderam ser tomados, por falta de tempo. Ele citou o exemplo de um policial civil que vendia drogas no centro de Curitiba. Ouvimos apenas prostitutas, que nos informaram sobre ele, mas não conseguimos ouvi-lo. Uma das sugestões propostas pelo relator é que a comissão permanente de Segurança da Assembléia Legislativa tenha seus poderes ampliados. O objetivo é que ela possa atuar quase como uma CPI, e assim investigar.
A CPI Nacional citou figuras importantes no Paraná, como o ex-secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, acusado de conivência com o crime organizado; e o ex-delegado-geral da Polícia Civil no Estado, Ricardo Kepes de Noronha, também acusado por envolvimento com o crime organizado. Oliveira acabou sendo demitido pelo governador Jaime Lerner (PFL). Noronha foi afastado do cargo.





