CPI do Narcotráfico livra figurões
O relatório final da CPI do Narcotráfico da Assembléia Legislativa do Paraná acabou não indiciando o ex-secretário de Segurança Pública Cândido Martins de Oliveira nem o ex-delegado-geral da Polícia Civil João Ricardo Képes Noronha, embora eles tenham sido indiciados pela CPI Nacional, em dezembro de 2000, por envolvimento com o tráfico de drogas. Ambos foram afastados.
Segundo o relator Ricardo Chab (PTB), o ex-secretário, o ex-delegado e outras figuras de expressão no cenário paranaense ficaram de fora porque só foram ouvidos pela CPI Nacional. Chab leu o relatório final ontem, depois de três adiamentos para entrega do documento. Os nomes dos indiciados pela CPI Nacional foram apenas reproduzidos no relatório da CPI da AL.
O líder dos partidos de oposição, Waldyr Pugliesi (PMDB) disse que coloca o resultado da CPI sob suspeição. Não participamos, e não queremos votar esse relatório. Na opinião de Pugliesi, a comissão formada pela bancada governista é mais uma laranja de má qualidade desse laranjal.
Entre os citados no Estado pela CPI Nacional, estão ainda o empresário de Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), Hissan Hussein Dehaini, Joarez França Costa (acusado de envolvimento em desmanches de veículos), o delegado Mário Ramos e o policial civil Mauro Canuto. Noronha foi indiciado por narcotráfico, crime organizado e desacato à CPI. Cândido por narcotráfico, crime organizado, além de ser acusado por conivência com o tráfico de drogas.
A intenção inicial era entregar um relatório secreto ao MP, contendo diversas denúncias que não puderam ser apuradas. No entanto, de acordo com Chab, a Promotoria de Investigações Criminais (PIC) já tinha grande parte dessas informações. Ele disse que a PIC vai receber uma relação das denúncias que não puderam ser aprofundadas pela CPI, envolvendo lavagem de dinheiro.
A CPI Nacional divulgou o relatório final em 5 de dezembro de 2000, e recomendou que 828 pessoas e empresas de 17 Estados fossem processadas por diversos crimes (narcotráfico, roubo de cargas, lavagem de dinheiro, corrupção, sonegação fiscal, enriquecimento ilícito, falso testemunho, prevaricação e outros).
Somente no Paraná, foram 104 citações (97 pessoas e sete empresas). Após a passagem da CPI, ocorreram 22 assassinatos, segundo equipe de apoio da CPI. A maioria das mortes foi de jovens de Curitiba e região, envolvidos com drogas. O presidente da CPI, Algaci Túlio (PTB), quer que a PIC investigue se foram queima de arquivo.





