CPI do mensalão é protocolada
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terça-feira, 14 de junho de 2005
Leila Swwan<br> Folhapress 
Brasília - Enquanto a CPI dos Correios enfrenta seguidos entraves políticos, a CPI do Mensalão ganha espaço e pode se concretizar na próxima semana. Ontem, PPS, PV e PDT protocolaram o requerimento pedindo a investigação do suposto pagamento de mesada do PT para deputados aliados com a conhecimento de ministros, conforme denúncia do presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson, à ''Folha de S.Paulo'' no dia 6.
O presidente do Senado, Renan Calheiros, deu apoio imediato à nova CPI, afirmou que o pedido preenche todos os requisitos regimentais e prometeu estimular a instalação, seguindo o mesmo calendário da CPI dos Correios.
Com isso, a expectativa é de que a CPI do Mensalão seja criada em sessão do Congresso já na próxima semana. ''Vou estimular a instalação. O que não pode acontecer é ficar sem investigação, a sociedade não nos perdoaria. E a investigação tem que ser profunda, para separar na prática os bons dos maus'', disse Renan.
O requerimento contava com as assinaturas de 205 deputados e 41 senadores, ainda não conferidas pelo Congresso. O apoio mínimo necessário é de 171 deputados e 27 senadores. Nomes podem ser acrescidos e retirados até meia-noite do dia da leitura e criação da CPI. Antes disso, haverá uma reunião de líderes partidários para acertar o possível funcionamento de duas CPIs.
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que chefiou a coleta de assinaturas, considera que a nova CPI tem mais legitimidade por estar desvinculada da guerra frontal entre governistas e PFL-PSDB e avalia que é necessária uma salvaguarda de investigação devido aos problemas de funcionamento da CPI dos Correios.
O requerimento apresentado ontem foca na identificação dos ''maus'' parlamentares, que teriam recebido o ''mensalão''. Porém, cita a necessidade de investigar os supostos envolvidos no esquema, citando o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e ''autoridade de alto escalão do governo'', o que inclui o conhecimento e falta de providências do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a acusação.
''É fundamental separar o joio do trigo, mas também queremos saber a origem, as fontes e o trânsito do mensalão'', disse o líder tucano Alberto Goldman (SP). A CPI do Mensalão contou com assinaturas de deputados e senadores do PT favoráveis à investigação mais ampla. Se for criada, terá 34 integrantes, prazo de 180 dias e orçamento de R$ 150 mil.


