Curitiba - Três pesquisas de intenção de voto feitas ano passado em Foz do Iguaçu, segundo os deputados estaduais da CPI do Ibope, apresentam "indícios de fraude". O documento foi lido no plenário da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, ontem, pela deputada estadual Mara Lima (PSDB), relatora da CPI. Ela e o presidente da CPI, Rasca Rodrigues (PV), afirmaram que pedirão providências ao Ministério Público e à Polícia Federal. "O governo do Paraná tem contrato com esse instituto, mas que confiança podemos ter diante desses números? É muita fragilidade", reclamou Rasca.
A CPI do Ibope foi criada em outubro de 2012, após pedido do ex-deputado estadual Reni Pereira (PSB), que disputou essas eleições municipais em Foz do Iguaçu e se sentiu "prejudicado" pelas pesquisas. Na véspera do pleito, o Ibope divulgou que Chico Brasileiro (então no PCdoB, hoje no PSD), rival do político, tinha 52% das intenções de voto e Pereira apenas 45%. Conferidas as urnas, Pereira fez 53% dos votos e Chico fez 42%. Os deputados pegaram as fichas com os dados dos entrevistados e telefonaram para cada um com o objetivo de checar a informação fornecida pelo Ibope.
Na primeira pesquisa avaliada, em que foram ouvidas 491 pessoas, a CPI do Ibope afirmou ter encontrado inconsistências em 48,3% dos dados. Para chegar nesse número os deputados somaram o número de telefones inexistentes (15%) ou indisponíveis (21,3%), pessoas associadas a contatos errados (5%) ou que afirmaram não ter respondido a pesquisa (2%), e pessoas fichadas sem contato (10,5%). Com os mesmos critérios, a CPI registrou 42,9% na segunda e 34,7% na terceira pesquisa de opinião. Contatado pela reportagem, o Ibope disse que só irá comentar o caso após ter acesso integral ao relatório da CPI.

mockup