Brasília - A CPI do HCBC instalada ontem no Senado terá como ponto de partida a investigação de cerca de 130 pessoas que constam na lista de correntistas "secretos" do HSBC registradas entre 2006 e 2007, e não o sistema financeiro, um dos principais financiadores de campanhas políticas.
A comissão terá 180 dias para tentar avançar na apuração de supostas irregularidades praticadas pelo banco na abertura de contas irregulares. Há suspeita de que mais de U$ 100 bilhões foram potencialmente ocultados do Receita Federal em mais de cem países. Entre os correntistas há cerca de 8 mil brasileiros, que tinham, numa estimativa preliminar, mais de R$ 7 bilhões ocultados do Fisco.
"Vamos começar os trabalhos a partir da lista. Neste momento, ainda é difícil saber onde vai dar. A lista pode aumentar. Podemos também ter informações além do HSBC. A princípio não é proibido ter conta no exterior, mas tem que ter lastro e ter declarado", afirmou o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Ele foi escolhido para ser o relator da comissão.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo apurou, a escolha dele teve resistência por parte da bancada do PT em razão de o peemedebistas ter um perfil mais "independente" dentro da base aliada. "Fiquei sabendo disso. Mas vou conduzir com muito equilíbrio e firmeza", ressaltou Ferraço. Na sessão de ontem também foi escolhido para presidir a CPI, o senador Paulo Rocha (PT-PA). Absolvido no processo do mensalão, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, o petista impostou o discurso de que o colegiado não será palco de "espetáculo". "A minha responsabilidade e a minha posição é que a gente dirija isso aqui com equilíbrio e com responsabilidade porque envolve a vida das pessoas, a vida de empresas, do nosso País, do sistema financeiro. Tem que haver um equilíbrio nesse processo para não se transformar em um grande espetáculo, que pode ter condenações antecipadas", ressaltou Rocha, que mencionou indiretamente o episódio do julgamento do mensalão. "Tenho essa responsabilidade até porque já vivi esse momento pessoalmente. Não quero que aconteça com prejulgamentos, que criem injustiças e atrapalhem a vida das pessoas", emendou.
O senador foi salvo da condenação após o plenário do STF ficar dividido em cinco votos contra e cinco a favor pela condenação. O empate é pró-réu. Na sessão, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), autor do pedido da CPI, apresentou uma série de requerimentos com pedidos de diligências e a convocação do diretor-presidente do HSBC Brasil, André Guilherme Brandão. Os documentos deverão ser votados na próxima sessão, marcada para amanhã. "O objetivo num primeiro requerimento é convocar o presidente do HSBC. Mas creio que essa CPI tem que iniciar ouvindo o Coaf e a Receita Federal. Tem que ser feita a pergunta: Como foi possível tantas contas serem registradas fora do Brasil? E qual é o controle que as nossas autoridades tributárias têm sobre isso?", ponderou Randolfe.

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