Curitiba - Mesmo sem ter ouvido os principais envolvidos nas denúncias de escutas telefônicas no Paraná, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembléia Legislativa para investigar o assunto admite apresentar o relatório final até sexta-feira. Amanhã, integrantes da CPI, que começou a funcionar no último dia 4, devem interrogar o policial civil Delcio Rasera, considerado o comandante do esquema de grampos, e encerrar as atividades da comissão. O término da CPI em tempo recorde gerou indignação em parlamentares da oposição.
Segundo o deputado Jocelito Canto (PMDB), relator da CPI do Grampo, a antecipação do relatório final se deve ao fim do ano legislativo, que acontece na sexta-feira. Como no período de recesso os trabalhos da CPI ficariam prejudicados e não haveria como votar em plenário o relatório, Canto afirmou que vai redigir o documento logo após o depoimento de Rasera.
''Tivemos pouco tempo para trabalhar e sei que o relatório fica muito longe do esperado'', reconheceu o deputado. ''Mesmo assim, vamos fazê-lo com algumas sugestões e acredito que elas possam contribuir com as investigações'', completou. Uma das sugestões seria a abertura de uma nova CPI no ano que vem. Caso o relatório esteja pronto até sexta, o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), garantiu que ele entra em votação no plenário no mesmo dia.
Canto afirmou que o relatório será baseado nos documentos recebidos pela CPI e nos depoimentos colhidos pelos deputados. Apenas duas pessoas foram ouvidas pela comissão: os promotores Dartagnan Cadilhe Abilhoa e Paulo Kessler. Ontem, a CPI ouviria o técnico em telefonia Isaque Pereira da Silva. Mas como ele não foi localizado para ser notificado, a sessão foi suspensa. Na última segunda-feira, Delcio Rasera foi até a Assembléia, mas acabou não sendo ouvido por falta de deputados na CPI.
Um dos integrantes da comissão ausentes na sessão foi Natálio Stica (PT). Ontem, ele afirmou que não esteve presente porque tinha uma consulta médica no mesmo horário do depoimento. Além disso, declarou que sua ausência não poderia ser considerado o motivo do cancelamento. ''A CPI tem sete integrantes e quatro estavam ausentes'', justificou.
Questionado sobre a redação do relatório final até o fim da semana, Stica afirmou que ele não trará grandes contribuições para a investigação sobre os grampos. ''Eu não diria que vai acabar em pizza, mas esta é uma CPI que não vai trazer resultados. Pelo que ouvimos até agora, sabemos que existem os grampos, mas não se chega a nenhuma conlusão. Infelizmente, isso é uma realidade'', admitiu o petista.
O término antecipado da CPI deixou irritou o deputado José Domingos Scarpellini (PSB). ''Do jeito que a CPI está sendo conduzida, não vai dar tempo nem de a pizza ir para o forno'', ironizou.

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