CPI do Grampo não encontra mandante
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sábado, 16 de dezembro de 2006
Rodrigo Lopes<br> Equipe da Folha 
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada há apenas 18 dias na Assembléia Legislativa para investigar o esquema de escutas telefônicas clandestinas no Paraná, concluiu ontem seus trabalhos. O relatório final, redigido após o depoimento do policial civil Délcio Augusto Rasera, apontado como principal agente do esquema e que foi ouvido na noite de quinta-feira, não traz conclusões sobre quem seriam os mandantes das escutas. Apenas sugeriu que a CPI seja retomada no ano que vem para ''chegar a conclusões mais efetivas''.
Segundo o autor do relatório, deputado Jocelito Canto (PTB), o principal obstáculo para que a CPI se aprofundasse nas investigações foi a falta de tempo. ''Nosso prazo foi muito curto e não tivemos tempo para colher mais depoimentos e fazer acareações'', lamentou. A comissão foi instalada no último dia 27 e realizou apenas seis sessões.
Dessas, em somente três foram feitos interrogatórios. Entre os ouvidos estiveram dois promotores do Ministério Público, Paulo Kessler e Dartagnan Abilhoa. Eles são respectivamente o atual e o ex-coordenador da Promotoria de Investigação Criminal (PIC), órgão responsável pela operação que resultou na prisão de Délcio Rasera.
O depoimento de Rasera foi considerado por Jocelito Canto como a grande contribuição da CPI para as investigações sobre os grampos. ''Foi a primeira vez que ele falou em público, com a presença da imprensa'', justificou.
Mas tanto o interrogatório de Rasera quanto os dos promotores não responderam à principal dúvida que fez com que a CPI fosse instalada: a mando de quem o policial fazia escutas telefônicas clandestinas. Rasera estava à disposição da assessoria especial do governo.
Mesmo com a investigação rápida e superficial feita pela CPI, o relator Jocelito Canto, que integra a bancada de apoio ao governador, isentou o governador Roberto Requião (PMDB) de qualquer responsabilidade. ''Para mim, esta questão fica esclarecida. Por tudo que ouvi, não há indícios de participação de Requião'', afirmou.
O relatório da CPI não pede incidiamentos ou que se abram processos judiciais contra ninguém. Em suas conclusões, apenas sugere o reinício dos trabalhos de investigação a partir do ano que vem para se chegar a ''conclusões mais efetivas''. Além disso, sugeriu a abertura de novas comissões para investigar as medidas que estão sendo tomadas pelas companhias telefônicas para prevenir a ocorrência de escutas ilegais.
O desempenho da CPI do Grampo foi criticado por deputados da oposição. Para Valdir Rossoni (PSDB), líder da oposição na Assembléia, a comissão não cumpriu o papel investigatório. Apenas teria ouvido os depoimentos que não comprometeriam o governo do Estado com o intuito de ''abafar'' a verdade. José Domingos Scarpellini (PSB), que chegou a pedir a convocação de Requião para prestar esclarecimentos à comissão, reclamou da falta de seriedade dos deputados envolvidos na CPI -todos da base de sustentação do governador.
Neivo Beraldin -que presidiu a CPI do Banestado na Assembléia- disse que seria impossível apresentar um relatório com tão poucos elementos. ''Não tem como ouvir o principal envolvido num dia e apresentar o relatório horas depois'', reclamou.


