Brasília - A CPI do Cachoeira aprovou, por unanimidade, as convocações de Fernando Cavendish, presidente licenciado da Delta, Luiz Antônio Pagot, ex-diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), de Raul Filho (PT), prefeito de Palmas, e de Paulo Vieira, o Paulo Preto, ex-diretor da Dersa no governo de José Serra (PSDB-SP).
Os depoentes não serão questionados pela CPI se recorrerem ao direito de permanecerem calados. Apenas serão obrigados a entrar na sala da CPI, fazer essa comunicação e sair. Essa decisão foi tomada ontem pela CPI, que manteve um rito que vinha seguindo desde o depoimento de Carlos Cachoeira. O DEM anunciou que irá recorrer ao STF para ter o direito de fazer questionamentos.
Na prática, mantido o atual rito, a convocação serve apenas para marcar a disputa política entre PT e PSDB na CPI e não deve trazer novidades à investigação, porque os depoentes, se quiserem, não permanecerão muitos minutos na CPI.
Informado da convocação de Fernando Cavendish à CPI do Cachoeira, o advogado do empresário, Técio Lins e Silva, disse que ''a comissão pode tudo, mas ele (Cavendish) não tem nada a ver com o fato determinado, que está relacionado apenas à regional Centro-Oeste da Delta''. Embora não tenha confirmado a intenção de pedir um habeas corpus preventivo ao STF, para que Cavendish possa ficar calado diante dos parlamentares, o criminalista disse que seu cliente ''não tem nada a falar''.
Lins e Silva disse ter expectativa de que, antes de marcar a data do depoimento, a CPI volte atrás na convocação de Cavendish. ''Vou torcer para que o equilíbrio e o bom senso prevaleçam na CPI e eles o dispensem do depoimento. Pode ser que eles vejam que é inútil, que é perda de tempo. Mas o que existe até agora é mera aprovação (da convocação), é uma declaração de intenção. Não há o que fazer no momento, nenhuma medida a tomar'', afirmou o criminalista.
A estratégia de defesa de Cavendish é transferir para o diretor regional da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, a responsabilidade de dar explicações sobre uma possível participação da construtora no suposto esquema de corrupção e tráfico de influência comandado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
''São fatos que ele ignora, ligados a pessoas que traíram a confiança da Delta'', diz Técio Lins e Silva. ''Sabemos que na CPI há interesses políticos, alguns legítimos, outros subalternos. Ele não foi chamado até hoje à CPI não por estar protegido, mas porque não tem nada a ver. A disposição dele no momento é que não tem nada a falar porque não tem responsabilidade sobre o fato determinado. É preciso saber se vão explorar a dor e a desgraça que ele vive há um ano'', afirmou Lins e Silva.
O advogado refere-se ao episódio que tornou pública a amizade entre Fernando Cavendish e o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Em junho do ano passado, um acidente de helicóptero matou sete pessoas no sul da Bahia, entre elas a mulher de Cavendish, Jordana Kfuri, o enteado do empresário, Luca, e a namorada de um dos filhos de Cabral, Mariana Noleto. O grupo participaria de uma festa promovida por Cavendish em um resort de luxo.
Lins e Silva reiterou que Cavendish não está ligado à administração da Delta e apenas preside o Conselho de Administração da empresa. ''Os diretores regionais tinham absoluta autonomia'', afirmou o advogado, lembrando que o peso do Centro-Oeste nos contratos da Delta era de apenas 4%.

Imagem ilustrativa da imagem CPI do Cachoeira convoca Cavendish
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