Brasília - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banestado no Congresso marcou para hoje, às 11 horas, uma reunião para votar o relatório final do deputado José Mentor (PT-SP).
Na semana passada, Mentor apresentou o parecer e os membros da CPI ofereceram 51 emendas ao texto que ele analisa e sobre as quais apresentará o parecer, na sessão de hoje. Mentor antecipou que serão acatadas as sugestões que tenham respaldo técnico. ''Acatarei até mesmo novos indiciamentos, desde que estes tenham a prova nos anais da CPI'', afirmou.
Segundo a assessoria do deputado do PT de São Paulo, a CPMI não precisará, necessariamente, aprovar hoje ou amanhã o relatório final, pois tem autonomia em marcar outra data para isso. Certo, segundo a assessoria, é apenas que, se não for aprovado esta semana, o parecer ficará para 2005. Como o Legislativo reinicia os trabalhos em 15 de fevereiro, há a possibilidade de o relatório ser aprovado apenas em março, se não o for na sessão de hoje.
Ontem, Mentor divulgou uma nota, rebatendo críticas segundo as quais o documento teria caráter político, e acusando a oposição de tentar fazer uso político da CPMI. ''Não tenho nenhuma dúvida de que a oposição (e a CPI é mista) a tratou, até para tentar proteger seus pares, como um instrumento de política partidária da pior qualidade'', afirma.
''Antes das eleições, por exemplo, tentaram vazar nomes de forma estratégica para prejudicar o governo, tentarem relacionar meu nome com pessoas do primeiro escalão do governo.''
As críticas ao relatório referem-se, sobretudo, ao fato de Mentor ter sugerido o indiciamento do ex-presidente do Banco Central (BC) Gustavo Franco por crime contra o sistema financeiro, ao lado do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, acusado de sonegação fiscal, evasão de divisas e crime contra o sistema financeiro.
O deputado do PT, no entanto, assegura que ''os pedidos de indiciamento foram feitos, exclusivamente, com base técnica, a partir de dados e informações que estão na CPI''.
Ao todo, Mentor propôs o indiciamento de 91 acusados por crime contra o sistema financeiro, evasão de divisas ou sonegação fiscal, e sugeriu que o Ministério Público (MP) dê continuidade às investigações.
O deputado propôs também que seja discutida a possibilidade de dar anistia fiscal e penal para permitir a repatriação de parte do dinheiro enviado de maneira lícita ao exterior.

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