Brasília- A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista do Banestado no Congresso, que investiga remessas ilegais de dinheiro para o exterior, adiou, mais uma vez, a votação dos requerimentos convocando para depor os ex-prefeitos Paulo Maluf (PP) e Celso Pitta (PSL). O presidente da comissão, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MS), disse que o adiamento foi ''tático'', pois os parlamentares, antes de ouvir Maluf e Pitta, querem interrogar outros suspeitos de envolvimento no desvio de recursos destinados às obras da Avenida Águas Espraiadas e do Túnel Ayrton Senna, em São Paulo, realizadas no período em que eles eram prefeitos.
Foram aprovados ontem 41 pedidos de convocação de testemunhas, entre elas, o empresário Murilo Mendes, dono da construtora Mendes Júnior, que executou as obras. A data do depoimento de Mendes não foi definida. A ex-primeira-dama Nicéia Camargo também foi convidada, novamente, para depor no dia 16, uma vez que não apareceu na primeira data escolhida, com a alegação de que tinha sido avisada em cima da hora.
Também na próxima semana será ouvido o ex-presidente da Unimed de São Paulo José Ricardo Savioli, que terá de explicar porque enviou para um banco do Uruguai R$ 2 milhões na véspera da liquidação da cooperativa de saúde. Foi ainda pedido o comparecimento do ex-contador do Banestado Eraldo Ferreira, que prestou informações ao Ministério Público (MP) sobre operações duvidosas realizadas pelo banco.
A CPI também aprovou a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico dos ex-diretores do Banco Araucária Alberto Dalcanale e Ruth Whately Bandeira de Almeida e do doleiro Chaia Mograbi, que teria movimentado US$ 56 milhões por meio de contas CC-5, reservadas para que correntistas não-residentes no Brasil possam enviar dólares ao exterior.

mockup