CPI do Banestado quer ajuda da Receita Federal
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segunda-feira, 11 de agosto de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada pela Assembléia Legislativa para investigar o Banestado enviou uma cópia do cd-room com os nomes dos titulares das 44 mil contas detectadas na agência de Nova York para a Receita Federal e para a Receita Estadual. A intenção dos deputados é identificar as empresas e pessoas físicas que enviaram dinheiro para o Exterior sem declarar a origem dos recursos.
Hoje, o presidente da CPI paranaense, deputado estadual Neivo Beraldin, presta depoimento na CPI Mista do Banestado montada no Congresso Nacional. Beraldin pretende relatar os acontecimentos do que já foi apurado no Paraná e colocar à disposição dos parlamentares o depoimento de Eraldo Ferreira, considerado como testemunha importante para o esclarecimento dos fatos ocorridos no Banestado a partir de 1993.
O ex-gerente de negócios de câmbio do Banestado, que há cerca de 10 dias confessou à CPI paranaense que abriu diversas contas correntes para empresários e pessoas físicas com nomes fictícios, reafirmou seu depoimento ontem. Ferreira contou aos deputados que captava dólares em operações chamadas de ''cabo'' para serem enviados ao Exterior. As operações eram feitas, segundo o depoimento, através de transferências de contas de doleiros para as novas contas correntes que eram abertas em nomes de fantasmas.
Ferreira relatou ainda que as contas eram de conhecimento dos ex-gerentes da agência do Banestado em Nova York Ércio de Paula dos Santos e Valdir Antônio Perin, que ontem foram obrigados pela Justiça à prestar depoimento à CPI. Eles, segundo Ferreira, trocavam correspondências principalmente fax diariamente. ''Abríamos as contas e fazíamos as transações na absoluta ilegalidade. Nunca questionávamos a origem dos recursos enviados. Poderia até ser dinheiro sujo'', argumentou Ferreira.
Questionado pelos parlamentares, Ércio de Paula dos Santos garantiu que nenhuma conta era aberta na agência de Nova York com nomes fictícios ou em nome de terceiros. ''Isso não existia. Não operávamos com esse tipo de conta'', garantiu ele, minutos depois do depoimento de Ferreira.
Disse ainda que a agência em Nova York tinha um cartão de assinaturas de todos os clientes, com a identificação original dos clientes. O depoente se negou a falar sobre número de correntistas e disse que tinha o direito de permanecer calado em vários questionamentos. Um deles referente ao diário de viagens do ex-gerente para doleiros e casas de câmbio. ''Está havendo um conflito de idiomas. Falamos esperanto e vossa senhoria fala aramaico ou hebraico. Como delegado de polícia posso dizer que você não está falando a verdade'', reclamou o integrante da CPI, Mário Sérgio Bradock (PMDB).


