Curitiba - O presidente da CPI do Banestado, deputado Neivo Beraldin (PDT), disse ontem que os três primeiros dias de depoimentos, somados aos documentos recebidos até agora, já são suficientes para indiciar algumas pessoas. Essa medida, no entanto, não será tomada agora porque ele entende que a CPI tem ainda um longo caminho pela frente.
Ontem os deputados ouviram o quarto depoimento. Foi do ex-vice-presidente do Banestado José Evangelista de Souza, que comandou o processo de liquidação do banco, de 1999 a 2000. Para Beraldin, o depoimento mais uma vez deixou claro que o Banco Central foi omisso com relação ao Banestado, o que acabou provocando prejuízos que agora estão sendo pagos pelo povo do Paraná.
No seu depoimento, Evangelista deixou claro a sua participação como pessoa de confiança do Banco Central, do qual também é ex-funcionário aposentado, nas operações que culminaram com a privatização do banco paranaense. O grande questionamento dos deputados ao final da sessão foi sobre os motivos que teriam levado o BC a adiar tanto o processo de venda do Banestado, uma vez que tinha conhecimento da situação banco do Paraná. ''Em 1998 o banco deu prejuízo de R$ 2,8 bilhões. Por que a venda só foi feita em 2000?'', indagava Beraldin.
Em vários momentos o ex-vice-presidente foi evasivo ou disse que não lembrava dos fatos levantados pelos deputados. Foi o caso da compra de títulos pobres. Em maio de 1999 o banco teria recebido uma relação dos títulos de difícil recuperação. Ainda assim, em julho do mesmo ano, comprou alguns desses títulos. Evangelista não soube responder quais teriam sido os motivos que levaram a presidência do banco a fazer o negócio. O mais grave é que de todos esses títulos, os que tinham alguma chance de ser recuperados, foram passados ao Banco Itaú, que comprou o Banestado. E os totalmente podres ficaram mesmo para o governo do Estado.
Segundo Beraldin, desde 1998, o BC compilava irregularidades do banco através de auditorias, que somente agora foram encaminhadas ao Ministério Público Federal, depois da instalação da CPI. ''A comissão, portanto, já começa a colher frutos significativos. Processos começam a sair das gavetas e vêm ao conhecimento da sociedade'', acredita o parlamentar.
Outra pergunta que ficou sem resposta foi a respeito da capitalização das empresas do conglomerado, enquanto o banco enfraquecia, e ainda sobre o valor de venda do Banestado. Só em ações da Copel o banco tinha R$ 500 milhões, mas foi vendido por R$ 434 milhões, segundo cálculo de Beraldin. Nos próximos dias a CPI vai trabalhar a portas fechadas.

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