Curitiba - Um dos integrantes do primeiro escalão do governo Roberto Requião (PMDB) é considerado peça-chave nas investigações finais da CPI do Banestado da Assembléia Legislativa. O atual secretário de Estado da Administração e Previdência, Reinhold Stephanes, ocupava a diretoria do banco durante o processo de saneamento e privatização, entre 1999 e 2000. O presidente da CPI, Neivo Beraldin (PDT) disse que há dúvidas sobre o destino dos R$ 5,1 bilhões emprestados do Banco Central (BC) para o saneamento do Banestado, o que Stephanes pode detalhar.
A CPI não fará sessões abertas nesta semana. ''Recebemos 30 mil páginas de documentos do Banco Central que temos que cruzar com as informações da auditoria interna do Banestado'', relatou Beraldin. Segundo ele, pelas investigações já feitas, há divergências entre o valor do empréstimo do BC e o que foi aplicado para sanear o banco estadual. O deputado disse que a CPI também pode pedir a presença do secretário de Estado da Fazenda na época da privatização, Giovani Gionédis. Se a comissão concordar com as convocações, elas devem ser marcadas para daqui a 15 dias.
A reportagem não conseguiu contato com Stephanes ontem. Em março, quando a CPI foi instalada, ele havia dito que as irregularidades ocorreram antes dele assumir a presidência do banco. Na época ele também criticou a atuação do BC quanto à fiscalização do Banestado, que teve um rombo de cerca de R$ 4 bilhões. Em 1998 o banco foi vendido ao Itaú por R$ 1,625 bilhão. Todo o dinheiro arrecadado foi direto para a União, abatendo 25% do empréstimo para o saneamento do Banestado. O resto da dívida está sendo pago, mensalmente, com juros de 6% ao ano até 2028.
Na semana passada, a comissão aprovou prorrogação dos trabalhos em 30 dias, que vencem em 13 de novembro. Segundo Beraldin, as ''dúvidas cruciais'' da CPI devem ser esclarecidas na reta final das investigações.

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