Curitiba - A sessão da CPI do Banestado ontem, na Assembléia Legislativa, terminou em empurra-empurra. O presidente da CPI, deputado Neivo Beraldin (PDT), e o advogado Alessandro Silvério trocaram acusações e tiveram de ser separados pelos seguranças da Casa. Silvério defende os ex-gerentes da agência do Banestado em Nova York Ércio de Paula dos Santos e Valdir Antônio Perin.
Os deputados da comissão alegam que os ex-gerentes se recusam a participar de audiência pública e podem fugir para o exterior. A recusa foi o motivo da briga entre Beraldin e o advogado, que invocou a Constituição para garantir o direito à preservação da imagem de seus clientes, sem a presença da imprensa. ''A Constituição garante esse direito aos meus clientes. Não vou apresentá-los. Eles já estão sendo processados e nada têm a dizer de novo para esta CPI, que deveria estar apurando apenas a privatização do Banestado'', argumentou o advogado.
Contrariado, Silvério deixou a Assembléia por alguns minutos e voltou acompanhado do advogado Cláudio Daledone Júnior, que tentou fazer uma mediação entre os deputados e o advogado de defesa dos acusados, o que não foi possível. Nesse meio tempo, entre a saída e retorno de Silvério, a CPI aprovou pedido de prisão dos ex-gerentes encaminhado à Justiça Federal, que no final do dia acabou não prosperando. Beraldin apresentou na sessão um relatório de viagens de Ércio de Paula dos Santos: visitas que eram feitas por ele a doleiros e casas de câmbio, inclusive visitas ao doleiro Alberto Youssef. ''É por causa disso que ele não quer falar publicamente na presença da imprensa.''
''É uma sessão pública. Já deliberamos pela prisão e não vamos voltar atrás'', foi avisando Beraldin quando do retorno de Silvério com Daledone. ''Ércio cometeu um crime de lesa pátria. Ele precisa ser ouvido.'' Silvério irritou-se mais uma vez, o que deixou o clima mais tenso. ''O senhor está presumindo que o meu cliente é culpado. Vou pedir a suspeição do senhor da presidência da CPI do Banestado.''
Beraldin pediu à segurança da Assembléia a prisão do advogado, o que tumultuou ainda mais a sessão. Os seguranças da Casa tentaram prender Silvério, mas foram sistematicamente detidos por Daledone. ''Somos advogados. Ninguém vai prender ninguém aqui'', gritava Daledone durante o empurra-empurra. ''Vamos prender sim. A segurança da Assembléia é a polícia aqui dentro'', replicava um dos seguranças que não quis informar seu nome.
O pedido de prisão preventiva de Ércio de Paula dos Santos e Valdir Antônio Perin, solicitado pela CPI, foi indeferido à tarde pelo juiz federal Sérgio Fernando Moro. O pedido foi protocolado por integrantes da própria CPI por volta do meio-dia. O juiz determinou, no entanto, que os ex-gerentes do Banestado compareçam no dia 11 de agosto, às 10 horas, para depor na comissão. Moro considera peculiar a situação de Valdir Antônio Perin e Ércio de Paula dos Santos, já que podem ser considerados investigados em relação a alguns fatos e testemunhas em relação a outros. Por isso, o juiz facultou a ambos o direito de permanecerem em silêncio quando as respostas puderem implicar em auto-incriminação. (Com Maria Duarte e Leandro Donatti)

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