CPI deve sugerir cassação de 75 sanguessugas
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quarta-feira, 09 de agosto de 2006
Andreza Matais<br>Folhapress 
Brasília - O relatório parcial da CPI dos Sanguessugas deve apontar o envolvimento de 75 parlamentares com a máfia das ambulâncias. A comissão investigou 91 nomes, mas encontrou provas contra 75. O vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), defende que os nomes dos 75 parlamentares sobre os quais há provas ou indícios graves de envolvimento com o esquema sejam encaminhados para os Conselhos de Ética da Câmara e do Senado, para que sejam abertos processos de cassação de mandato.
Conforme Jungmann, o relatório da CPI - que será apresentado hoje - dividirá os parlamentares em três grupos. Do primeiro constam 50 nomes, sobre os quais há ''provas expressivas'' de participação no esquema. No segundo grupo estão listados outros 25 com provas e indícios graves. No terceiro grupo, estarão 15 parlamentares que a CPI não comprovou a participação.
''Entendo que todos os 75 devem ser enviados para o Conselho de Ética, mas a palavra final é do relator'', afirmou Jungmann, se referindo ao senador Amir Lando (PMDB-RO).
O presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), reiterou que pretende colocar o relatório parcial em votação hoje. Se houver pedido de vista, Biscaia irá conceder apenas algumas horas para que o texto seja analisado pelos membros. O deputado admite, no entanto, adiar a votação somente se não houver quórum na reunião.
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), sub-relator da CPI, disse ontem que recebeu documentos que comprovariam a participação do PSB num esquema de aparelhamento do Ministério da Ciência e Tecnologia.
O material foi encaminhado pela Associação dos Funcionários da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). A Finep é vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e o órgão responsável pelo ônibus do programa de Inclusão Digital. Há suspeitas de que emendas foram liberadas para que prefeituras comprassem os veículos a preços superfaturados.
Gabeira disse que recebeu a informação de que a Finep foi inchada pelo PSB. De 38, os cargos comissionados passaram a 135, num órgão que tem 538 servidores. O deputado desconfia que se tratem de cabos eleitorais, já que muitos tinham salários altos, embora sem qualificação para o serviço.


