CPI deve pedir indiciamento de Delúbio e Pereira
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segunda-feira, 12 de setembro de 2005
Fernanda Krakovics<br>Folhapress 
Brasília - A CPI dos Correios deve pedir ao Ministério Público (MP) o indiciamento dos ex-dirigentes petistas Delúbio Soares (tesouraria) e Silvio Pereira (secretaria geral) por tráfico de influência e sonegação fiscal. Os principais embasamentos seriam o relacionamento com o publicitário Marcos Valério de Souza, o caixa dois formado pelo PT e a suposta simulação de empréstimos bancários. ''A nossa avaliação é que não houve empréstimos bancários e sim doação, ou do Marcos Valério em troca de contratos de publicidade ou dos bancos, em troca de alguma vantagem'', disse ontem o sub-relator de movimentação financeira, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR).
Marcos Valério é apontado como o principal operador do ''mensalão'', pagamentos feitos pelo então tesoureiro do PT Delúbio Soares a deputados em troca de apoio ao governo. Os dois alegam que o dinheiro sacado por parlamentares foi proveniente de empréstimos bancários, no valor de R$ 55 milhões, tomados pelo publicitário e repassados ao partido. Ainda de acordo com Marcos Valério e Delúbio, os recursos foram utilizados para pagar dívidas de campanha, em um esquema de caixa dois, e não para comprar apoio parlamentar.
Os integrantes da CPI se dividem quanto aos empréstimos tomados no Banco Rural e no BMG. Para uns, eles não existiram de fato e para outros eles foram concedidos em troca de vantagens, como a aplicação de recursos de fundos de pensão. O pedido de indiciamento dos dois ex-dirigentes petistas não vai ocorrer nesta semana, na apresentação dos relatórios parciais. Ele deve ocorrer somente no relatório final da CPI, previsto para dezembro.
O documento deve citar o trânsito de Marcos Valério no governo, facilidade que teria obtido através de sua amizade com Delúbio. A quebra do sigilo telefônico do publicitário mineiro pela CPI registrou, por exemplo, 126 telefonemas da DNA e da SMPB, agências das quais é sócio, para ramais da Presidência da República no período em que disputavam a renovação e um novo contrato com estatais, entre agosto e dezembro de 2003. No governo petista Marcos Valério possuía contrato com os Correios, o Banco do Brasil, a Eletronorte e o Ministério do Trabalho. Eles foram cancelados depois do atual escândalo.
No relatório final da CPI também deve constar, para ilustrar o suposto tráfico de influência, o fato de Silvinho, como é conhecido o ex-secretário-geral do PT, ter ganho uma caminhonete Land Rover da empresa GDK, que possui um contrato com a Petrobras. Pereira se desfiliou do partido após a denúncia.
Delúbio tem assumido a responsabilidade pelos supostos empréstimos e pelo caixa dois sozinho, poupando as demais lideranças petistas. Tanto Delúbio quanto Pereira e Marcos Valério negam irregularidades nos contratos do publicitário com estatais e órgãos públicos. Eles também negam que Marcos Valério tenha obtido vantagens no relacionamento com os petistas.
Amanhã a CPI apresentará três relatórios parciais: um sobre irregularidades em contratos com os Correios, um sobre a movimentação financeira de Marcos Valério e outro sobre as quebras de sigilo telefônico. O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou que as empresas Novadata e Skymaster farão parte do relatório sobre os Correios. Esses empresários seriam ouvidos ontem pela comissão. Amanhã será a vez do chefe do NAE (Núcleo de Assuntos Estratégicos), Luiz Gushiken.


