CPI deve pedir hoje exumação do corpo
A CPI do Banestado deve aprovar hoje o encaminhamento à Justiça Federal de pedido de exumação do corpo do ex-diretor da Banestado Leasing e ex-secretário de Esportes e Turismo, Osvaldo Magalhães dos Santos. A decisão foi tomada, ontem, após os deputados ouvirem, em sessão secreta, os legistas que fizeram o laudo da morte do ex-secretário. De acordo com o relator da CPI, deputado estadual Mário Sérgio Bradock (PMDB), o próprio médico legista Carlos Alberto Siega, que assinou o laudo de morte, concordou com a necessidade de se fazer um teste de DNA para comprovar a identidade do morto, uma vez que na época o laudo se restringiu a descrever as lesões encontradas.
O odontólogo do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba, Nerone Gonçalves Carvalho, também confirmou que, apesar do corpo estar irreconhecível com o acidente, não foi realizado o laudo da arcada dentária do morto. A determinação teria sido dada pelo então diretor do IML, Francisco Moraes e Silva. ''O diretor do IML na época disse que não precisava fazer o laudo da arcada dentária e pediu só um exame do crânio. Mas o crânio tinha explodido no acidente e não dava para reconhecer nada'', contou Bradock. A reportagem ligou para Moraes e Silva, mas ele não quis falar sobre o assunto.
Além dos laudos cadavéricos não comprovarem que o corpo seria o do ex-secretário, a CPI encontrou outros indícios de irregularidades nos procedimentos pós-morte. No IML de Ponta Grossa, por exemplo, não há nenhum registro sobre a morte, apesar do corpo ter sido levado inicialmente para aquele local. Isso porque o livro de registros de entrada dos mortos no IML teve a página, onde constava os dados referentes ao ex-secretário, rasgada.
A CPI já encaminhou ao IML local pedido de explicações sobre a rasura em um livro oficial. Os parlamentares também aguardam para hoje informações já solicitadas ao Instituto de Criminalística da Polícia Civil. O dentista particular do ex-secretário, Bento Garcia Júnior, também prestou depoimento ontem. Ele não retornou às ligações feitas pela Folha em seu consultório em Curitiba.
Osvaldo Magalhães dos Santos morreu em setembro de 1998 em um acidente de carro na BR-277 em Palmeira (40 quilômetros ao sul de Ponta Grossa). Osvaldinho, como era conhecido, bateu o veículo Ômega que dirigia contra um caminhão. O corpo dele ficou mutilado e o caixão permaneceu fechado durante o velório. Na época, houve boatos de que ele teria forjado a própria morte e estaria vivendo no exterior, mas não houve nenhuma investigação. Durante os depoimentos da CPI, foi mencionada a possibilidade de fraude.
Osvaldo Magalhães é acusado pelo Ministério Público estadual e federal de causar prejuízo de R$ 400 milhões (ou R$ 600 milhões, segundo a CPI) ao Banestado. Ele teria autorizado quase 30 empréstimos a empresas que não tinham condições financeiras de devolver o dinheiro. (M.G.)





