Brasília - Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado deverá investigar o ''risco de colapso na administração pública do País'', em decorrência da adoção de critérios políticos no preenchimento de 70% dos cargos de confiança. Em apenas dois dias, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), conseguiu 34 assinaturas, sete além do necessário, para apurar as denúncias de que 15.400 dos 22 mil desses cargos estão sendo ocupados por filiados do governo que nem sempre atendem aos requisitos de competência.
No seu requerimento, Virgílio argumenta que ''a administração federal foi transformada numa extensão, num instrumento para arranjos políticos''. ''Tais ocorrências são, desde logo, inadmissíveis em qualquer área, muito menos na área da saúde'', alegou, referindo-se ao loteamento de cargo no Instituto Nacional do Câncer (Inca).
O líder explicou que a sua intenção, ao propor a criação da CPI, ''é a de evitar o desmoronamento por completo de tudo o que funciona com eficiência''. Cita como exemplo o próprio Inca, cujos diretores se demitiram por não concordarem com a partidarização da máquina pública. Virgílio lembrou que editorial do jornal ''O Estado de S.Paulo'' sobre o assunto critica a nomeação de uma funcionária com especialidade em parques e jardins para a diretoria administrativa do órgão.
Apesar de dizer que não vê motivos para criação de uma CPI, o petista Eduardo Suplicy (SP) terminou dando um motivo a mais para a investigação: ele lembrou que nem o líder do governo, Aloizio Mercadante (SP), nem o líder do bloco governista, Tião Viana (AC), contestaram as denúncias sobre nepotismo e o loteamento de cargos públicos publicados no ''Estado'' e outros jornais no final de semana. Para Suplicy, isso demonstraria que a oposição já conseguiu chamar a atenção do governo para o problema.

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