CPI deve indiciar Palocci e Okamotto
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quinta-feira, 01 de junho de 2006
Adriano Ceolin<br>Folhapress 
Brasília - Relatório preliminar da CPI dos Bingos concluiu que há elementos para pedir os indiciamentos do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda), do chefe-de-gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, e do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, amigo de Lula.
Elaborado por consultores do Senado e à primeira vista sem apresentar fatos novos, o texto foi entregue ontem ao relator Garibaldi Alves (PMDB-RN), que pretende analisá-lo para fazer as considerações finais e apresentá-lo na terça-feira à comissão. ''Vou ler o relatório durante o final de semana. Sabemos dos elementos, mas temos de ver a consistência. Fazer esses pedidos (indiciamento) ao Ministério Público é muito sério'', disse Garibaldi.
A bancada governista já definiu sua estratégia. Aceita que os casos envolvendo Palocci, Okamotto e Carvalho sejam mencionados no relatório. Contudo, não permitirá pedidos de indiciamentos contra os três.
''Vamos manter a coerência. Tudo que considerarmos fora do objeto da CPI será questionado'', disse Ideli Salvatti (SC), líder do PT no Senado. Por ter conquistado a maioria recentemente na comissão, os governistas dizem ter força para derrubar o relatório de Garibaldi.
Uma cópia do texto também foi entregue ao presidente da CPI dos Bingos, Efraim Morais (PFL-PB). Assessores de gabinete de Garibaldi e Efraim ainda pretendem mexer no texto de 900 páginas, que deverá ganhar mais 300 até terça-feira.
O texto começa citando Okamotto por conta das denúncias do ex-petista Paulo de Tarso Venceslau, que acusou-o de comandar um esquema de arrecadação de recursos para caixa dois em prefeituras do PT. Okamotto negou as acusações. Okamotto também será citado por conta da denúncia de que o PT recebeu R$ 1 milhão para a campanha do presidente Lula em 2002, e também será lembrado por conta do pagamento de uma dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT -o próprio Lula poderá ser citado.
O relatório preliminar também avalia que o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002, foi um crime político e está relacionado com atos de corrupção. Essa argumentação é usada para fundamentar o pedido de indiciamento do chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. Segundo dois irmãos de Celso Daniel, ele teria dito que levava à sede do PT dinheiro arrecadado irregularmente na prefeitura. Carvalho nega.
Antonio Palocci é citado por conta das acusações de corrupção em Ribeirão Preto e também pela violação do sigilo do caseiro Francenildo Costa.


