CPI detecta mais de um responsável por socorro
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Agência Estado 
Os senadores da CPI dos Bancos cobraram ontem, ao final do depoimento dos seis dirigentes da BM&F, a co-responsabilidade da instituição na operação do Banco Central que socorreu os bancos Marka e FonteCindam. Essa cobrança foi rejeitada pelo presidente da BM&F, Manoel Félix Cintra Neto.
A BM&F só ofereceu informações, alertou para o risco sistêmico, mas não pediu socorro. A verdade é que a decisão é exclusivamente do BC, afirmou Cintra Neto ao deixar a sala da CPI. Tanto o relator, senador João Alberto Souza (PMDB-MA) como o presidente, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), afirmaram que a BM&F também tem responsabilidade pelas duas operações.
O relator criticou ainda a postura dos dirigentes durante o depoimento, de tranferir toda a responsabilidade para o BC. A BM&F disse que o BC é responsável por tudo, ironizou. A contradição é generalizada, inclusive entre os próprios dirigentes da BM&F, disse o relator, referindo-se a reclamações percebidas por ele entre alguns diretores da Bolsa durante o depoimento.
O relator esperou o final do depoimento para questionar os dirigentes da BM&F se tinham conhecimento de que as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), que foram dadas como garantias pelo banco Marka, não pertenciam ao banco. Sem revelar detalhes e alegando sigilo bancário, João Alberto disse que recebeu informações de que as LFTs eram, na verdade, títulos alugados pelo Marka. O superitendente-geral da BM&F, Edemir Pinto, disse que desconhecia o fato. Os títulos públicos federais representavam 95% das garantias do Marka e 90% do FonteCindam.


