Brasília - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios detectou indícios de lavagem de, pelo menos, R$ 8 milhões de quatro empresas que receberam recursos da agência de publicidade SMP&B e da Tolentino Associados, ligadas ao empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), e do sub-relator Gustavo Fruet (PSDB-PR) reuniram-se ontem com a diretoria do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para pedir ajuda nas investigações sobre eventual lavagem de dinheiro por meio dessas empresas.
As empresas que receberam recursos de Valério são: RS Empreendimento e Participações, com sede no Panamá; Athenas Trading, do Uruguai; Link Trading, dos Estados Unidos, e Guaranhus Empreendimentos, que têm escritórios nas Ilhas Cayman e no Uruguai.
''São empresas que têm vinculação com o Marcos Valério e mandaram recursos para o exterior'', afirmou Fruet, depois do encontro no Coaf.
''A maior parte dos recursos para essas quatro empresas foi repassada pela SMP&B'', afirmou. Segundo ele, a Guaranhus recebeu R$ 5,7 milhões da agência de publicidade, a Athenas, R$ 1,9 milhão também da SMP&B, e parte dos R$ 700 mil repassados para a RS foi pela Tolentino.
Fruet disse que a comissão não tem ainda o valor de quanto foi para a Link Trading. A CPI pedirá a quebra do sigilo bancário e fiscal da RS e da Athenas.
A Guaranhus e a Link tiveram o sigilo quebrado pela CPI. ''Imaginamos que possa ter havido lavagem de dinheiro. Os registros apontam operações atípicas'', argumentou Serraglio. Em depoimento na semana passada à Polícia Federal (PF), Valério afirmou que, em 2004, passou a usar a Guaranhus para repassar dinheiro ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. A Guaranhus é controlada pela Esfort Trading, que fica no Uruguai.
Valério disse que repassou ao PL R$ 6 milhões. Na reunião com a cúpula do Coaf, os integrantes da CPI também foram informados que, em outubro de 2003, o conselho avisou o Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo sobre as movimentações atípicas nas contas da SMP&B. Serraglio disse que o Banco Central (BC) foi informado sobre os altos saques feitos das contas da agência.
''O mínimo que deve ocorrer é uma interlocução contínua do Banco Central com o Coaf'', defendeu o relator. O BC informou, por meio da assessoria, que cabe ao banco comunicar ao Coaf as movimentações suspeitas e não o contrário, conforme disse Serraglio.
Em 2002, o MPF em São Paulo fez uma investigação sobre a SMP&B São Paulo Comunicações, que tem os mesmos sócios da SMP&B. Na época, o Coaf não detectou nenhuma movimentação suspeita nas contas da empresa. A partir de meados de 2003, o BC baixou uma norma que obriga as instituições financeiras a informarem ao Coaf os saques em dinheiro acima de R$ 100 mil. Em outubro de 2003, o Coaf avisou o Ministério Público em São Paulo sobre a volumosa movimentação no boca do caixa da SMP&B.
A CPI convocou para depor hoje o empresário Cristiano Paz, um dos sócios de Valério. Amanhã, será ouvida a publicitária Zilmar Silveira, sócia do publicitário Duda Mendonça. Na semana passada, Valério disse à Polícia Federal (PF) que repassou R$ 15,5 milhões para Zilmar.

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