Agência Estado
A CPI do Judiciário no Senado descobriu ontem que, entre abril de 1995 e novembro de 1998, o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge recebeu 117 ligações do ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo Nicolau dos Santos Neto, acusado de desviar parte dos quase R$ 300 milhões destinados à obra do Fórum trabalhista da capital. Dessa forma, a suspeita da participação de Jorge no esquema de liberação de recursos para a construção do fórum, mesmo quando a obra era tida como superfaturada, foi reforçada.
Das chamadas, duas foram feitas em 23 de dezembro de 1996 e 1997, com duração de 2 e 11 minutos cada. Na época dos telefonemas, Santos Neto era presidente da comissão de obras do Fórum, cabendo a ele assegurar a liberação do dinheiro em Brasília. O juiz não mais participava de julgamentos do tribunal o que desmonta o argumento do ex-secretário de que os diálogos com Santos Neto se restringiam à nomeação de juízes classistas ou outras questões funcionais.
A descoberta torna praticamente certa a convocação de Jorge para depor. Ele desligou-se da Presidência em maio de 1998 para coordenar a campanha eleitoral do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas, na maior parte das vezes em que atendeu aos telefonemas de Santos Neto, ele era o então secretário-geral da Presidência.
‘‘Ele precisa dar explicações’’, defendeu o senador José Eduardo Dutra (PT-SE). O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), é cauteloso. Ele disse que Jorge ‘‘fez uma coisa errada’’, quando conversou com Santos Neto, enquanto coordenava a campanha de FHC, mas que é necessário aguardar novas provas da CPI antes de considerá-lo suspeito.
Outra coincidência apontada pela CPI foi o reinício da liberação de dinheiro para as obras, depois de ter sido suspensa durante um ano, no período em que Jorge assessorou o então ministro da Fazenda, Fernando Henrique. Santos Neto conseguiu obter US$ 14,78 milhões nos sete meses em que Jorge ficou no ministério.

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