Um dia após a renúncia do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), com o aparente fim da crise política, o líder do Bloco Oposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE), surpreendeu ontem com o anúncio de que dispõe de 26 assinaturas favoráveis à abertura de CPI destinada a investigar denúncias de corrupção. Para que a CPI seja instalada, são necessárias 27 assinaturas.
‘‘Criar a CPI até acho possível, mas o difícil vai ser fazê-la funcionar’’, admitiu Dutra. Ele pretende obter as 27 assinaturas até a próxima semana. Mas não está contando com o apoio dos três senadores carlistas – Antônio Carlos Júnior (PFL-BA), filho de ACM, Waldeck Ornélas (PFL-BA) e Paulo Souto (PFL-BA) – para que a comissão venha a ser instalada. ‘‘Na verdade, o ACM nunca quis essa CPI e, por isso, não acredito que os carlistas vão assinar o requerimento’’, disse o petista.
Dutra lançou um desafio a ACM: ‘‘Se o senador Antonio Carlos quiser mesmo a CPI, basta que ele mande seu filho assinar o requerimento.’’ Júnior, que tomou posse ontem pela manhã no Senado, mantém o suspense e argumenta que só pretende falar de política na próxima semana.
Dos 26 senadores que assinaram o requerimento de CPI, dez são de partidos governistas: sete do PMDB, dois do PSDB e um do PTB. O presidente nacional do PMDB, senador Maguito Vilela (GO), foi um dos últimos a assinar o requerimento da comissão. O apoio dele só foi divulgado ontem por Dutra porque o PMDB não queria transformar o PFL no fiel da balança para a criação ou não da CPI.
Além do presidente do PMDB, mais seis senadores da legenda assinaram a CPI: Amir Lando (RO), Casildo Maldaner (SC), Pedro Simon (RS), José Fogaça (RS), José de Alencar (MG) e Roberto Requião (PR). Os senadores e irmãos Álvaro Dias (PSDB-PR) e Osmar Dias (PSDB-PR) também apoiaram a abertura da comissão. Em relação ao requerimento arquivado há cerca de três semanas, a novidade é o senador Fernando Bezerra (PTB-RN), que cumpriu a promessa de assinar a CPI, depois que saiu atirando no governo.
Na reunião da Executiva do PT, ontem à tarde, a cúpula da sigla reafirmou a decisão de que um dos objetivos da CPI é apurar as denúncias contra o presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA).

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