A CPI do Sistema Financeiro decidiu ontem, juntamente com o Ministério da Justiça, tomar as providências legais para o rastreamento de contas no exterior dos sócios e controladores dos bancos Marka, Salvatore Alberto Cacciola, e FonteCindam, Luiz Antônio Gonçalves; do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes e dos irmãos Luiz Augusto Bragança e Sérgio Luiz Bragança, ex-sócios de Lopes na empresa de consultoria Macrométrica.
O ministro da Justiça, Renan Calheiros, vai acionar a Interpol nos países com os quais o Brasil mantém acordos internacionais de cooperação, para rastrear as contas dessas pessoas e, também nos paraísos fiscais, onde os senadores acreditam que eles possam ter contas bancárias. A CPI e o Ministério deveriam iniciar, ainda ontem, contatos com empresas especializadas no trabalho de rastreamento para contratar seus serviços.
O ministro Renan Calheiros admite que ‘‘será difícil rastrear contas em paraísos fiscais’’, em virtude das condições de sigilo com que elas são cercadas nesses locais. ‘‘É difícil, mas vamos até o fim’’, afirmou o vice-presidente da CPI, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), que esteve no Ministério da Justiça acompanhado do presidente da CPI, senador Bello Parga (PFL-MA); do relator, João Alberto Souza (PMDB-MA), e do senador Eduardo Suplicy (PT-SP).
Calheiros admitiu que esta ação do governo em parceria com a CPI dos Bancos pode encontrar dificuldades em países com os quais o Brasil ainda não tem acordo de cooperação, como é o caso dos EUA. Ele lembrou que proposta de acordo com os EUA está emperrada na Comissões de Relações Exteriores da Câmara. Além disso, segundo o ministro, alguns países exigem que haja decisão judicial para a quebra de sigilo de clientes, e eles não reconhecem a CPI como substituta dessa decisão judicial.
DepoimentosA secretária Sandra Cupelo confirmou ontem em depoimento à Polícia Federal, no Rio, a pedido da CPI dos Bancos, ter agendado pelo menos uma reunião entre a diretoria do Banco Marka, para o qual trabalhava, e Francisco Lopes, como presidente do Banco Central. A afirmação reforça suspeitas sobre suposta proximidade entre Lopes e a instituição privada. Sandra não quis dar declarações à imprensa.
Policiais, procuradores da República, auditores da Receita Federal e o assessor da CPI, Hipólito Gadelha, acompanharam ontem outro depoimento, o do ex-contador do Marka Eliel Martins. Segundo Gadelha, a CPI pretendia que Martins esclarecesse porque e a mando de quem o contador anotara, na contabilidade do Marka referente a 1998, lucros decrescentes no fim de 1998.
‘‘Verificamos no Marka uma série de operações de redução do lucro no fim do ano, redução essa que não atende à legislação tributária’’, disse ele. O depoimento, que fora marcado para às 14 horas, começou com cerca duas horas de atraso, e, até o início da noite, não terminara.
Gadelha, que foi embora antes do fim do interrogatório, recusou-se dar informações sobre o depoimento, mas observou que Martins, apesar de desempregado, veio acompanhado de um advogado pago pelo Marka, José Carlos Fragoso, que também defende o dono do banco, Salvatore Alberto Cacciola.

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