A Comissão Parlamentar de Inquérito das Obras Inacabadas fará um cruzamento de dados para checar se as autoridades que prestaram depoimento na quinta-feira em Curitiba prestaram informações corretas. O Estado é campeão da Região Sul em empreedimentos paralisados, com cerca de 300 projetos. Cada depoente recebeu um questionário que deverá ser enviado à Câmara dos Deputados em 15 dias. Os dados do formulário serão confrontados com os números do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Comissão de Orçamento da Câmara.
O presidente da comissão, deputado Damião Feliciano (PMDB-PB), disse que se houver diferença entre os dados, vai convocar os responsáveis a depor em Brasília. Na passagem por Curitiba, os deputados coletaram informações de representantes do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), da Secretaria de Patrimônio da União e de secretários de Estado. O deputado federal Norberto Teixeira (PMDB-GO), integrante da comissão, pediu prioridade para apurar quatro obras paralisadas que tiveram financiamento federal.
São elas: Portal Paisagístico de Foz do Iguaçu (parado desde 1998), Usina do Conhecimento de Pato Branco (paralisada desde 1999), Conjunto Habitacional Antônio Vieira (abandonado desde 1992) e Colônia Penal Agrícola de Tamarana (parada desde 1981). Criada em maio deste ano, a CPI das Obras Inacabadas começou a visitar os Estados esta semana, começando pela Região Sul.
O deputado Damião Feliciano explica que as visitas vão contribuir para a produção de um cadastro nacional de obras paralisadas por falta de recursos ou que apresentem irregularidades, como desvio de recursos. Em 1996, numa estimativa preliminar, o Senado calculou que o País tinha mais de 2 mil projetos paralisados, que deram um prejuízo de R$ 15 bilhões ao contribuinte.
Na quarta-feira, o Tribunal de Contas do Paraná também divulgou um levantamento sobre o volume de obras paralisadas em 346 dos 399 municípios do Estado. Das 1055 obras paradas, 928 (88%) são de responsabilidade do governo estadual. Municípios são responsáveis por 7% das obras e a União ficou com 5% do bolo do desperdício. O presidente do TC, conselheiro Rafael Iatauro, disse que a pesquisa foi feita em paralelo com a iniciativa de criação da CPI Nacional das Obras Inacabadas. O trabalho do TC começou em janeiro. Na segunda fase, que termina no final deste ano, o tribunal quer calcular os prejuízos financeiros que as obras causaram aos cofres estaduais.

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