Curitiba - A Assembléia Legislativa aprovou ontem com 23 votos favoráveis o relatório final da CPI das Universidades Estaduais. Dos 54 deputados estaduais, apenas 30 acompanharam a votação do relatório do deputado Neivo Beraldin (PDT), realizada no final da tarde de ontem.
O ponto mais polêmico do relatório foi o pedido de afastamento do reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Paulo Roberto Godoy. Os deputados Jocelito Canto (PTB), Artagão Júnior (PMDB) e Plauto Miró (PFL) abstiveram-se de votar por discordarem da posição de Beraldin e do presidente da CPI, Mário Sérgio Bradock (PMDB), favoráveis à punição do reitor.
Jocelito foi o mais enfático na defesa do reitor. ''Em vários depoimentos, o próprio presidente da CPI afirmou que o reitor não estaria envolvido nos problemas da UEPG. O afastamento caberia caso o reitor estivesse atrapalhando as investigações, mas sempre que foi procurado ele atendeu os pedidos da CPI'', afirmou Canto.
Segundo o relatório, Godoy estaria envolvido no pagamento de horas-extras irregulares a vigilantes da UEPG. Outra acusação seria o pagamento irregular da gratificação por dedicação exclusiva a docentes da universidade. Bradock defendeu o relatório de Beraldin. ''Sinto tristeza em ver os deputados defendendo apenas a responsabilização dos peixes pequenos e protegendo os doutores. Como reitor, ele deveria estar ciente das irregularidades que acontenciam sob seu nariz'', afirmou Bradock. A Folha procurou Godoy ontem, mas não obteve contato.
Embora o envolvimento do reitor tenha sido contestado no plenário, houve unanimidade nas outras irregularidades na UEPG relatadas por Beraldin. A principal é o desvio de R$ 1,2 milhão da seção de receitas da instituição. Um inquérito policial já está em andamento para apurar os responsáveis pelas fraudes contábeis.
Apesar da CPI originariamente ter se destinado a investigar todas as universidades estaduais, os próprios integrantes reconhecem que o objetivo não foi atingido. ''No final das contas, acabamos nos focando apenas da UEPG, embora haja denúncias em todas as universidades'', ressaltou Plauto Miró (PFL).

mockup