Leandro Donatti
De Curitiba
A CPI Nacional do Narcotráfico começou a definir ontem o roteiro de suas investigações no Paraná. Cinco deputados federais que integram a comissão desembarcam nos próximos dias 24 e 25 em Curitiba para ouvir testemunhas e envolvidos na rota da droga no Estado. O deputado Padre Roque (PT-PR), participou da reunião e disse que a CPI já começou a solicitar documentos junto a orgãos públicos do Paraná para orientar as investigações. A comissão ficará fixada em Curitiba. Padre Roque não adiantou, por motivos de segurança, nem o número nem o nome das pessoas que serão ouvidas pela CPI.
Se depender da Comissão Especial de Investigação (CEI), criada pela Assembléia Legislativa do Paraná, os deputados da CPI terão farto material de investigação na semana que vem. O presidente da CEI, Ângelo Vanhoni (PT), disse ontem que a comissão prepara dossiê sobre a lavagem de dinheiro no Paraná, que pode ter ligação com o narcotráfico. Os deputados do Paraná entregarão ainda mapa do caminho da droga no Estado e do desmanche de carros, ‘‘com nomes e endereços dos envolvidos’’, garantiu Vanhoni. ‘‘Vamos indicar oito nomes para a CPI’’, assinalou o petista.
Vanhoni solicitou ontem, junto ao Banco Central, a designação de um técnico para assessorar os trabalhos da CPI, principalmente quando o assunto em pauta for a lavagem de dinheiro. A CEI levantou uma lista com operações tidas como suspeitas, pela origem duvidosa do dinheiro remetido ao exterior. ‘‘Curitiba mandou US$ 1 bilhão para o exterior. Foz do Iguaçu, outros R$ 7 bilhões, num prazo médio de dois anos e meio. Não quer dizer que essas operações feitas, talvez irregularmente, tenham relação direta com o tráfico de drogas, porém, mesmo assim devem ser investigadas pela CPI’’, ressaltou.
O Ministério Público do Paraná também será acionado pela CEI da Assembléia, para prestar auxílio nas investigações da CPI. ‘‘Vou falar com o Giacóia (Gilberto Giacóia, procurador geral de Justiça) para ver o que pode ser feito’’, assinalou o deputado.
Vanhoni voltou a fazer críticas à Secretaria de Segurança Pública do Paraná. ‘‘A polícia está prendendo traficante do Boqueirão (bairro de Curitiba), mas tem de ir atrás dos mentores de tudo isso. E as denúncias têm de evoluir para uma responsabilização criminal. E não morrerem na casca. O Adauto (de Oliveira, delegado do Fera, grupo de combate ao narcotráfico) é o único que põe a cara para bater. Os outros policiais sabem de irregularidades mas não se expõem’’.
O deputado disse que o requerimento transformando a CEI do Paraná em CPI só será apresentado em plenário depois da vinda da CPI do Narcotráfico, provavelmente depois do carnaval. É que os deputados do Paraná não querem disperdiçar com feriados o prazo de vigência da futura CPI. Os integrantes da CEI trabalham ainda com a possibilidade de a CPI repassar responsabilidades para os parlamentares do Paraná.Deputados federais que integram comissão nacional deverão ouvir testemunhas e envolvidos com crime organizado
Arquivo FolhaINDICAÇÃOÂngelo Vanhoni: ‘‘Vamos recomendar nomes de oito pessoas para prestarem depoimentos aos parlamentes da CPI’’

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