CPI das Drogas vai convocar dois do PR
James Alberti
De Curitiba
A CPI do Narcotráfico já tem em mãos o nome das duas primeiras testemunhas que podem revelar o funcionamento do crime organizado no Paraná, apesar da investigação não ter ainda data marcada para chegar ao Estado. Ontem, a comissão que apura o narcotráfico no País, recebeu um documento com pistas e informações preliminares que podem indicar o caminho que a investigação deverá percorrer no Estado.
Consta das informações sigilosas, que Maurício Radice, considerado o cérebro financista do esquema, e que trabalha em Campinas (SP), começou sua carreira em Curitiba. Ele tem cerca de 40 anos e utiliza quatro identidades falsas. Radice é especialista em lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas e armas, comandados pelas máfias sicilianas, libanesa e japonesa. Depósitos milionários teriam sido feitos em agências bancárias de Curitiba, Londrina, Campinas, Juiz de Fora, Maceió, Recife, Salvador, Nova York e Beirute.
Conforme um dossiê que chegou à CPI, o começo da trajetória de Radice no crime organizado ocorreu há cerca de 15 anos, em Curitiba, numa reunião com políticos e empresários de vários Estados. Segundo o deputado Robson Tuma (PFL-SP), integrante da CPI, se forem confirmadas as informações do dossiê, Radice estaria associado a importantes instituições financeiras, principalmente do Paraná, São Paulo e Rio. O empresário também estaria ligado a processos de privatizações de grandes empresas nacionais.
O dossiê divulgado ontem à Folha de Londrina/Folha do Paraná, em Brasília, aponta ainda o envolvimento de um ex-juiz, um político, delegados e policiais civis e militares no tráfico de drogas e roubo de carros no Paraná. São citadas no documento seis cidades, por onde as investigações deveriam começar. As informações creditam ao narcotráfico quase uma dezena de assassinatos ocorridas no Paraná. As mortes misteriosas ainda não foram investigadas.
O documento cita ainda as formas de transporte das drogas pelo Estado. Uma transportadora e o proprietário de um helicóptero foram mencionados por informantes como responsáveis por carregamentos que atravessam o Paraná. A comissão parlamentar também recebeu informações e deverá investigar desmanches de carros espalhados pelo Estado.
Nomes de possíveis testemunhas da CPI também foram citadas no relatório. Em cada uma das cidades relacionadas no documento, a comissão já possui uma ou mais pessoas que poderão prestar esclarecimentos sobre as ações regionalizadas. Desde já as testemunhas demonstraram medo de falar sobre o assunto. Acredita-se, porém, que a vinda da comissão parlamentar incentive novas denúncias, a exemplo do que está ocorrendo em todos os Estados por onde ela tem passado.
O relator da CPI, Moroni Torgan (PFL-CE), recebeu ontem o documento, que começou a ser preparado há cerca de 25 dias. Hoje o relator deverá dar um parecer sobre os possíveis depoimentos das duas testemunhas. Os nomes delas estão sendo mantidos em sigilo, por questão de segurança. Aos poucos se farão novas escolhas de testemunhas, afirmou à Folha a pessoa que entregou o relatório para Torgan, que, por enquanto, também prefere não se identificar.





