CPI das drogas ouve testemunha-chave
Os deputados da CPI estadual do Narcotráfico ouviram ontem à noite, em Curitiba, um depoimento que, na opinião deles, pode ser fundamental para as aprofundar as investigações sobre o tráfico de drogas no Paraná. O traficante José Maria Montalban começou a depor na Promotoria de Investigações Criminais (PIC) por volta das 19 horas. Segundo o presidente da CPI, Algaci Túlio (PTB), e o relator Ricardo Chab (PTB) (que durante todo o dia não revelaram o nome da testemunha), Montalban já foi ouvido em Maringá, na semana passada, e poderia fazer revelações consistentes.
Para depor aos deputados o traficante fez várias exigências. Pediu que o depoimento fosse em Curitiba, que deseja ser transferido para um presídio seguro fora do Estado depois de ser interrogado e a garantia de vida para ele e a mulher. Pelo telefone, antes de começar o interrogatório (realizado à portas fechadas), Chab informou que Montalban estava negociando estas exigências com os promotores da PIC. Os deputados Chico Noroeste (PFL) e Tiago Amorin (PTB) também acompanhariam o depoimento que, na estimativa de Chab, poderia durar mais de três horas.
Montalban chegou em Curitiba às 16h20. Ele veio de Maringá em avião do governo do Estado, escoltado por dois policiais. No trajeto do avião até a viatura da PM que o transportou para a PIC, Montalban, encapuzado, não falou com os jornalistas. De bobo ele não tem nada, afirmou Algaci, que conversou pessoalmente com o traficante em Maringá. Os deputados temiam que Montalban, sem receber as garantias para as exigências dele, voltasse atrás em suas declarações.
Preso pela Polícia Federal em Maringá há nove meses com seis quilos de cocaína, Montalban, 33 anos, já foi julgado e condenado a quatro anos e meio. Durante os trabalhos da CPI do Narcotráfico e do Crime Organizado em Maringá, o traficante pediu para depor em sigilo e para ser tirado da 9ª Subdivisão Policial. Ele revelou ainda que existia um plano para ser resgatado da cadeia. O plano no entanto foi frustrado com a prisão de três pessoas em maio.
Durante ronda na madrugada do último dia 17 de maio a Polícia Militar parou um Opala com placas de São Paulo. No interior do carro os policiais encontraram duas armas e alguns pedaços de corda. Os três ocupantes do veículo foram presos. João Suniu Lima da Silva, 29 anos, Ivanildo Ferreira da Silva, 27, e Juliana Vilar dos Santos, 20, todos de São Paulo. Os três ficaram alguns dias presos, suspeitos de estarem na região para assaltar carretas.
Antes da versão do resgate chegar até a polícia, a Justiça liberou os três, que segundo Montalban estavam na cidade para estudar um plano de fuga. A polícia descobriu depois que Juliana é companheira de Montalban. O deputado Ricardo Maia (PSB), membro da CPI, diz que existe suspeita de Montalban fazer parte do Cartel de Cali, através de ramificações no Mato Grosso. (Colaborou Marcos Zanatta,De Maringá)





