A CPI Estadual do Narcotráfico vai a Maringá amanhã para fazer acareação entre o ex-secretário da Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi e um traficante internacional ouvido pela CPI, que está preso em Curitiba. O nome do traficante está sendo mantido em sigilo. Paolicchi foi preso na semana passada em Florianópolis. O ex-secretário será confrontado, a partir das 10 horas, na tentativa de se apurar sua ligação com o tráfico de drogas. Segundo o relator da CPI, deputado Ricardo Chab (PTB), a comissão dispõe de informações que confirmam a atividade do ex-secretário, de acordo com testemunhas.
‘‘Queremos saber exatamente se e como foram feitos negócios entre Paolicchi e traficantes’’, disse Chab. Paolicchi está sendo acusado de três crimes em alçada estadual (formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro) e um em alçada federal (sonegação fiscal). O crime mais grave é o de peculato, pelo qual o ex-secretário pode pegar até 12 anos de prisão. O Ministério Público ainda investiga a ligação de Paolicchi com o empresário-doleiro Alberto Youssef, preso em Londrina.
O promotor de Defesa do Patrimônio Público em Maringá, José Aparecido da Cruz, esteve em Curitiba na sexta-feira passada, quando se reuniu com o presidente da CPI do Narcotráfico, deputado Algaci Túlio (PTB). A viagem a Maringá foi acertada na ocasião. Cruz declarou que os fatos estão se fechando em torno das mesmas pessoas no Paraná. O promotor também disse que os desvios na Prefeitura de Maringá foram ‘‘muito elevados’’. Segundo ele, o MP verificou que o desvio de recursos foi mais acentuado de 1994 em diante.
O Movimento em Defesa do Patrimônio Público de Maringá considera que a devolução dos recursos desviados da prefeitura é mais importante que a própria prisão do ex-secretário. Os números sobre os desvios são contraditários: R$ 2,6 milhões, segundo um processo na Justiça Federal; R$ 20 milhões, conforme um relatório preliminar do Tribunal de Contas (TC); e R$ 100 milhões, segundo fontes da Folha que comparam os 14 anos de atividade de Paolicchi na prefeitura, seus rendimentos e seu patrimônio.
A CPI do Narcotráfico teria que encerrar seus trabalhos hoje, em cumprimento ao regimento interno da Casa mas, após fortes discussões ontem, seus integrantes conseguiram com o presidente da Casa, Nelson Justus (PTB) a prorrogação do prazo por 72 horas. ‘‘Só assim poderíamos fazer a viagem a Maringá. A decisão de ampliar o prazo foi tomada para auxiliar os trabalhos da Comissão’’, disse Chab.
Justus concedeu ainda 30 dias a mais de prazo para apresentação do relatório final da comissão. Ou seja, o relator, que teria que entregar o documento no início dos trabalhos da Assembléia em 2001 (em 15 de fevereiro), terá até 15 de março para arrematar o relatório. A bancada de oposição contestou a atitude de Justus, argumentando que a prorrogação é irregular. Mas o presidente da Casa recebeu apoio do plenário e manteve a decisão.

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