CPI das Drogas inicia trabalho no Rio
Agência Estado
Agência Folha
De Brasília/Rio
Os deputados da CPI do Narcotráfico começam a investigar amanhã, no Rio de Janeiro, possíveis atividades da organização criminosa com ramificações em todo País, que seria comandada pelo deputado cassado do Acre Hildebrando Pascoal, que está preso em Brasília.
Os parlamentares farão uma gigantesca operação em vários áreas do Estado, inclusive na Baía de Guanabara, onde vão vistoriar os pontos utilizados para descarregamento de drogas e verificar ainda como é feita a vistoria das mercadorias que entram no porto da cidade.
O sub-relator da CPI, deputado federal Wanderley Martins (PDT-RJ), disse ontem acreditar que o depoimento do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que está sendo negociado entre os advogados do traficante e o deputado, pode respingar lama nas instituições policiais do Rio. Ele é um arquivo ambulante e seu depoimento é de suma importância para chegarmos ao que chamamos capitalista do tráfico, afirmou Martins.
O deputado foi procurado na semana passada, em Brasília, por dois advogados um carioca e outro de São Paulo. Eles disseram que Fernandinho Beira-Mar, considerado o maior traficante do Estado e o mais procurado pela polícia, queria depôr na CPI em troca de perdão judicial. Ele quer a remissão dos pecados, mas não sei se isso é possível, afirmou Martins. Vamos conversar com o Ministério Público Federal e com o Poder Judiciário para ver o que é possível ser feito, afirmou o parlamentar.
O procurador-geral de Justiça do Estado do Rio, José Munõz Piñeiro Filho, disse que o traficante Fernandinho Beira-Mar, que tem, assim como outros 16 integrantes de sua quadrilha, prisão preventiva decretada pela 1ª Vara Criminal de Duque de Caxias, não tem direito ao perdão judicial, mesmo que se apresente e colabore com a investigações da CPI, porque já é condenado. O Programa Nacional de Apoio à Testemunha prevê esse benefício apenas para vítimas e testemunhas. Ele poderá ter proteção especial durante o cumprimento das penas e, se colaborar, pode ter a redução de um a dois terços, disse o procurador.
De acordo com levantamento da polícia, cerca de 40% de toda a droga que entra no Estado do Rio pertence a Fernandinho Beira-Mar. Sua organização teria ramificações em outros Estados. O deputado Wanderley Martins considera o seu depoimento importante, mas está cauteloso porque quer saber, antes de fechar o acordo, que tipo de informação o traficante está disposto a fornecer à CPI. Ele ainda não adiantou nada para não perder seu poder de barganha, mas precisamos saber realmente o que ele tem a declarar, afirmou.
Ontem, o governador Anthony Garotinho rebateu acusações do relator da CPI do Narcotráfico, deputado Morani Torgan (PSDB-CE), segundo as quais a polícia do Rio não estaria colaborando com a comissão. A polícia do Rio não só está colaborando com a CPI do Narcotráfico, como receberá seus integrantes nessa quinta-feira, no Palácio Guanabara, afirmou o governador, por meio de sua assessoria de imprensa.





