Agência Estado
Do Rio
O legista Fortunato Badan Palhares, ex-diretor do Departamento de Medicina-Legal da Unicamp, será chamado a depor na CPI do Narcotráfico. Em dois depoimentos à comissão, o nome do legista foi associado ao esquema do ex-deputado Hildebrando Pascoal e que, para os integrantes da CPI, tinha seu centro financeiro e logístico em Campinas. ‘‘Não tenho dúvidas de que vamos pegar um rastilho de pólvora através do Badan Palhares’’, afirmou o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS).
Segundo ele, Palhares foi citado pela primeira vez no depoimento do motorista Jorge Meres, que fazia parte da ala maranhense da quadrilha. Meres disse que o laudo da morte do tesoureiro da campanha do ex-presidente Collor, Paulo César Farias, foi montado por Palhares, a mando do irmão de PC, o deputado federal Augusto Farias (PPB-AL). ‘‘Confesso que nós não demos importância, porque a denúncia era vaga’’, admitiu. ‘‘Mais tarde, porém, fomos verificando que 100% do que Meres contou do Acre e, depois, do Maranhão, estava certo.’’
Na semana passada, o depoimento do deputado estadual do Maranhão Francisco Caíca (PSD) reforçou os indícios que envolvem o legista. Caíca foi assessor de José Gerardo, apontado pela CPI como o principal dirigente da organização no Maranhão. Ele contou que Gerardo foi o mandante do assassinato de um menino, filho de um gerente do Banco do Brasil em São Luís, há dez anos.
O gerente, identificado por Mattos apenas como Antonio, havia recusado um empréstimo para Gerardo. Um mês depois, seu filho foi morto. O corpo encontrado não foi identificado como do garoto, numa perícia executada por Badan. Mais tarde, porém, o dentista do menino garantiu que a arcada era a do filho do bancário.
Badan disse ontem que está disposto a prestar depoimento à CPI do Narcotráfico caso seja convocado. Negou, porém, que tenha alguma relação com o crime organizado, seja no caso da morte de Paulo César Farias, seja no das denúncias de que o deputado José Gerardo (PPB) teria mandado matar o menino. ‘‘Não tenho idéia do que possa estar acontecendo, mas estou à disposição, como qualquer cidadão.’’

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