CPI das Drogas adia relatório para 3ª
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de dezembro de 2000
Maria Duarte De Curitiba e Agência Estado 
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico adiou para terça-feira a divulgação do relatório final, que tem mais de 1.100 páginas. Na revisão final do texto, que se estendeu até às 5 horas da madrugada de ontem, os parlamentares descobriram que duas pessoas que seriam indiciadas morreram.
Antes de apresentar o relatório na terça-feira, a CPI reavaliará acusações no Espírito Santo e Ceará. Lá, a análise foi mais profunda. Os parlamentares confirmam o indiciamento de autoridades em quase todo o País. Entre outros, serão indiciados os deputados federais José Aleksandro (PSL-AC), Augusto Farias (PPB-AL) e o presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, José Carlos Gratz (PFL).
Ontem, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedidos de habeas-corpus a dois acusados de pertencer ao crime organizado. Os dois são o advogado Iran Siqueira de Queiroz e o comerciante Ricardo de Souza.
Com o adiamento da votação do relatório, permanece sob suspense o número exato dos que serão indiciados no Paraná pela CPI. A informação inicial era de que haveria 39 indiciados mas ontem o deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT-PR), único representante do Estado na CPI, disse que poderiam passar de 80. O número exato só será conhecido no momento da divulgação.
Entre as pessoas que deverão ser indiciadas estão policiais e empresários. O deputado disse que os documentos estão sendo reordenados e redigitadas. Na segunda-feira, acontece uma reunião para acertar os detalhes finais. No total, a CPI do Narcotráfico deve indiciar 500 pessoas.
As figuras de maior expressão no Estado que constam entre os indiciados da CPI, de acordo com o deputado, são os delegados Mário Ramos (ex-titular do Centro de Operações Policiais Especiais - Cope), João Ricardo Képes de Noronha (delegado geral da Polícia Civil exonerado) e o ex-secretário estadual de Segurança Pública Cândido Martins de Oliveira. Também aparecem os nomes do empresário de Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), Hissan Hussein, e de policiais que foram presos durante as investigações. Um vereador de Foz do Iguaçu também estaria entre os indiciados.
Cândido Martins de Oliveira, em entrevista a uma rádio de Curitiba, disse ontem que se espantou com as provas arroladas contra ele. O ex-secretário contestou as acusações.


